sábado, 28 de agosto de 2010

Típico do ser humano.



__ Era véspera de Natal. Tipicamente americano, esse fim de tarde estava frio e começavam a cair os primeiros flocos de neve, dando uma cor a mais na Times Square. Ali de cima, da sacada do décimo andar do prédio, eu podia ver pessoas cheias de casacos correndo loucamente; já era de se esperar que metade dos nova-iorquinos tenham deixado as compras de Natal para a última hora. Sempre sem tempo para nada; sempre sem tempo para as tradicionais compras natalinas; sempre sem tempo para si mesmos... Típico de Nova York.
__ Olhei para o termômetro, que estava ao lado da janela e ele marcava em torno dos 2ºC, o que era muito frio para um começo de noite. Me dirigi para o sofá e liguei a TV. Corri por vários canais, a maioria noticiando o congestionamento no trânsito, nas filas de supermercados e lojas de brinquedos. A falta do que fazer era tanta, que apanhei o meu casaco e desci para a rua. Ao cruzar a porta do prédio, um vento gelado me cortou. Continuei caminhando, afinal, para algum lugar eu tinha que ir. Realmente estava impossível andar de carro por aquele caminho e mesmo nas calçadas o caos era grande. Andei por 2 quadras e parei em um Café. Estava aparentemente vazio.
__ Entrei e me sentei. Pedi o mesmo de sempre: Capuccino. A bebida estava quente, ótima para me aquecer, já que o frio lá fora era grande. Tomei o café, fazendo restar somente algumas gotas no fundo da xícara. Deixei o dinheiro na mesa e saí; já estava escuro e a decoração natalina deixava a avenida incrivelmente linda. Caminhei lentamente até o meu prédio, subi as escadas e entrei no apartamento, que confesso estar bem mais quente e aconchegante do que na rua. Me dirigi até a sacada novamente; eu simplesmente adorava ficar lá observando do alto aquela cidade imensa. Olhei para baixo e vi algumas crianças, que deviam ser do coral da igreja e que, tradicionalmente peregrinavam por muitas casas de Nova York levando um pouco mais de solidariedade e calor humano nas noites de Natal. Cantavam aquelas músicas natalinas; era bonito de se ver todos cantando impecavelmente em coro. Tipicamente americano.
__ Passei a reparar mais na minha situação. Sozinha, em plena noite de Natal.
__ Solidão... Típico do ser humano.

Beijo e me liga pra contar da sua noite de Natal :*

PS: Mais um texto de pura falta de inspiração ¬¬'
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domingo, 22 de agosto de 2010

E a solução foi tentar fugir do mundo.

__O vento estava fraco, mas refrescante. Conforme eu caminhava, deixava um rastro com as minhas pegadas. Andava sem ter um rumo, um destino ou um simples lugar para ir; andaria quilômetros se fosse preciso, mas só queria me sentir bem. A praia hoje estava vazia, mas quem dera também, em plena segunda feira já era de se esperar a ausência de pessoas por lá.
__Dava para contar nos dedos as poucas pessoas, provavelmente seriam turistas, que estavam de passagem. Poderia me sentar ali mesmo, na areia morna e ficar horas observando o mar, como eu sempre fazia, mas desta vez não era isso que eu queria. Amo morar aqui, é simplesmente perfeito ter o mar a sua disposição, para quando precisar. Mentalmente, eu era praticamente bombardeada por perguntas que eu mesma fazia. Porque ele teria feito isso comigo? Eu podia ser tudo, mas não merecia ter sido enganada.
__ Continuei caminhando, rumo ao inimaginável, onde nem eu mesma sei. Andaria por tudo, não me perderia, sei voltar para casa depois. Olhei para o céu, as nuvens começavam a chegar e para o meu azar, o sol seria encoberto em pouco tempo.
__ Muitos passos foram dados para que eu já me sentisse cansada. Me sentei na areia, a poucos centímetros de onde a água chegava. Molhei as minhas mãos e as levei para o meu rosto, no intuito de me refrescar um pouco. Fechei os olhos por alguns minutos e ao abri-los estava disposta a mudar. Voltar a ser como eu era; reconquistar a minha felicidade, seja ela a dois ou solo mesmo. Me levantei e entrei no mar. Deixaria ali toda a minha infelicidade, todo o meu ódio e rancor. Abandonaria naquelas águas toda a negatividade que carregara comigo por tanto tempo. Era hora de voltar a viver, voltar a sentir a alegria de estar viva.
__ E acho que deu certo. Saí dali mais leve.

Beijos e me liga pra contar o que você faz na praia :*

PS: Créditos ao meu amigo da praia favorito, Renanzito *-* Muito obrigada pela foto, me ajudou muito nesse post :)
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

I miss.



Sinto falta de ter os seus braços para me esquentar quando eu estava prestes a sentir frio.
Sinto falta de todas as correntinhas que você já fechou no meu pescoço.
Sinto falta de todas as vezes em que eu decidia sumir, depois olhava no celular e via 1.000 ligações suas perdidas.
Sinto falta de todas as minhas lágrimas que você já enxugou.
Sinto falta das vezes em que você tirava os fios de cabelo do meu rosto, quando o vento insistia em bagunçá-los.
Sinto falta de todas as vezes que você me abraçou por trás, recostando a sua cabeça entre o meu pescoço e comentando sobre o meu perfume.
Sinto falta de quando você colocava a sua mão sobre a minha, na tentativa de dividir o meu sofrimento com você.
Sinto falta das vezes em que você me cobria com o seu casaco, para me proteger da chuva.
Sinto falta de todas as noites frias que já passamos debaixo de um cobertor.
Sinto falta de todos os céus estrelados, de todo amanhecer e de todo pôr-do sol que já vimos juntos.
Sinto falta de todas as vezes em que você me pegava no colo e saia correndo, sempre conseguindo me tirar uma risada.
Sinto falta de todas as palavras que você já me disse, de todos os telefonemas no meio da noite, de todos os SMS e de todos os e-mails que você já me mandou.
Sinto falta de todas as vezes em que eu me sentia mal, você levantava a minha cabeça, olhava no fundo dos meus olhos e dizia que eu era linda mesmo sem maquiagem.
Sinto falta dos seus beijos, que sempre me faziam esquecer do mundo.
Sinto falta do jeito que você me amava, e do quando me fazia sentir útil.
Sinto falta de você do meu lado.

Beijos e me liga pra dizer o que você sente falta :*

PS: é, vi que vocês não gostam muito de histórias de terror. Friday 13 não agradou a muita gente :S
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Friday 13


_
__ Não se ouvia mais falar naquelas histórias. Era como se toda a vizinhança tivesse esquecido de tudo o que já havia acontecido naquela casa. Hoje ela parecia estar mais velha e abandonada do que nunca. Todas as folhas degeneradas, escuras caídas no chão, panfletos, algumas sujeiras no terraço e plantas secas, que um dia já foram flores. Isso sem mencionar as vidraças estouradas.
___ Dizem os moradores da pequena vila, que há alguns anos morava uma família naquela casa. E que a filha mais nova do casal, era terrivelmente perturbada. A pequena garota, tinha apenas 5 anos e era considerada um mistério entre os sensitivos, benzedeiro, padres e pastores. Nunca ninguém conseguia descobrir o que fazia a menina ter os estranhos comportamentos.
___ Ontem conversei com uma velha moradora do bairro, que conhecia a família de longas datas. Ela me contou que a casa deles era um pouco incomum, quando comparada às outras residências. A decoração, que era um pouco rudimentar, antiga, e meio assombrosa, predominava na casa. Eles haviam vindo de uma cidade pouco conhecida, do interior da Califórnia; ele era antropólogo e ela enfermeira. A filha deles, andava sempre com uma boneca em baixo do braço; uma boneca de porcelana vestida com trajes holandeses. Não importa onde ia, a boneca era obrigada a acompanhá-la. Passados alguns meses desde a mudança para aquela casa, a menina passou a raramente sair para a rua e quase toda madrugada os vizinhos relatavam ouvir gritos estridentes vindos de lá.
___ Um dia, a família pediu para que essa vizinha tomasse conta da criança por uma noite, enquanto iam para Califórnia a trabalho. Naquela noite, a vizinha assistia tranquilamente a TV naquela sala espaçosa, toda revestida de carpete e somente com a pouca luz que o candelabro oferecia. A menina já estava dormindo, em seu quarto todo com detalhes em rosa e móveis de cerejeira. Um ruído baixo, aparentemente vindo do sótão, que mais parecia um arranhão, despertou atenção na vizinha. Acostumada com a presença de pequenos roedores e alguns outros insetos que vagavam no sótão de todas as casas da vizinhança, ela não ligou. O barulho seguinte realmente assustou-a. Um grito de criança vindo do segundo andar da casa a fez subir imediatamente ao quarto da menina. Ao cruzar a porta, a viu com uma série de cortes e arranhões pelo corpo. E a boneca na mesinha de cabeceira.
___ A vizinha, apavorada bombardeou a garotinha de perguntas: "Minha querida, o que aconteceu? Quem fez isso com você? Me diz?" Como resposta ela ouviu apenas algumas palavras: "Mamãe disse que não pode contar". Ouvindo isso, a mulher estava mais confusa do que nunca. Limpou os ferimentos da menina e questionaria a mãe, quando chegasse, sobre o acontecido.
___ Na manhã seguinte, quando a mãe da garotinha chegou, a primeira coisa que ouviu da vizinha foi um questionamento sobre o que a mulher vira na noite passada. Sem saber o que fazer, a esposa colocou a mala de mão sobre o chão sentou-se na poltrona, respirou fundo e fez a vizinha, acima de tudo, prometer que nunca contaria a ninguém o que havia acontecido naquela noite. Assim, começou a se explicar, dizendo que só havia mudado da Califórnia depois de um grave acidente ocorrido em seu trabalho. Em uma noite, quando não havia médico nenhum de plantão no hospital, chegou uma criança, que havia sido esfaqueada. Sem saber o que fazer e sem ninguém para atender a criança, a mulher colocou em prática tudo o que sabia sobre primeiros socorros em casos como aquele. Mas a criança faleceu. Não necessariamente pelo esfaqueamento, mas sim pela falta de atendimento adequado que recebeu. Os pais da criança a culparam pelo acontecido e a ameaçaram de morte. Assim, ela se mudou daquela cidade.
___ Porém, o espírito da criança falecida, nunca a deixou em paz e segundo um sensitivo, ela estava disposta a fazer a mulher sentir toda a dor que os seus pais sentiram com a sua partida. E já que a boneca de porcelana era o xodó da filha da enfermeira, a alma da falecida incorporava todas as noites nela com a unica finalidade de mutilar a menininha aos poucos, até que ela morresse. A vizinha ficou em choque com a história, mas não havia nada que pudesse ser feito.
___ Uma semana depois, o bairro fica sabendo que a menina foi encontrada morta, vítima de um suposto assassinato, um esfaqueamento, para ser mais precisa. Mas a vizinha sabia que essa não era a verdade.

Beijos e me liga pra contar da sua sexta-feira 13 :*

PS: Ficou meio sem graça a história, mas só fiz por que queria postar alguma coisa relacionada a essa sexta-feira.
PS2: Eu vou colocar 'no ar' hoje uma enquete para saber se vocês preferem o blog com textos mais no estilo crônica/conto ou como estava antigamente. É muito importante a opinião de vocês, para que eu possa estar melhorando e agradando cada vez mais :)
PS3: Prometo que vou parar de escrever textos tãããão longos, ok? :S
PS4: Comente, deixe a sua marquinha aqui (:

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Em meio a tantas folhas secas.


___ Ao atravessar a porta e sair para a calçada, um vento frio me cortou. Por impulso, fechei o meu casaquinho de linha, abotoando-o por um só botão. A paisagem estava em tons de laranja, marrom e amarelo, afinal, o outono chegara. Em cada passo que eu dava, ouvia o estalo das folhas secas no chão. Com aquele friozinho que estava fazendo, sentia que a minha pele estava mais branca do que nunca, e consequentemente, gelada. O vento mexia os meus cabelos, jogando-os para trás mostrando mais ainda a minha pele clara. O sol já estava alto, e entre as árvores, iluminava parcialmente as folhas que estavam caidas no chão. Na casa do lado, a janela do quarto dele estava com a cortina fechada; provavelmente ainda estava dormindo, afinal, não é todo mundo que acorda no mesmo horário que eu.
___ Infelizmente hoje era dia de eu varrer as folhas secas da entrada. Confesso que essa é a pior das tarefas, ter que ficar ali varrendo aquelas folhas secas e amarronzadas, que um dia já foram tão verdes quanto o lápis de cor que eu usava no jardim de infância. Peguei o rastelo e comecei a juntar as folhas em pequenos montinhos, para depois queimá- las. Olhei para a janela dos Stheiner novamente e dessa vez já estava aberta. Por mais que a distância de onde eu estava até a janela dele fosse relativamente grande, dava para ver alguns detalhes do quarto, como a parede branca e alguns posters colados nela. Ele saiu na sacada, esticou os braços e deu um breve bocejo e quando me viu, acenou, sem graça. Retribui o cumprimento, por educação, e continuei varrendo as folhas.
___ Certos 10 minutos se passaram e vi que ele saiu para a calçada, agora sem o pijama, vestido com um jeans e um moletom cinza; e o cabelo ainda um pouco bagunçado. Deu alguns passos, que foram suficientes para ele chegar até a divisa dos nossos terrenos, onde tinha uma cerca e debruçar sobre ela, me observando varrer as folhas. Lancei um breve olhar para ele, que disse: "Oi". Devolvi a saudação e então ele se calou.
___ "Tudo bem?" ele disse. Respondi que sim e perguntei se ele estava bem, recebendo dele uma resposta afirmativa. Finquei o rastelo no chão me apoiando, respirei fundo de cansaço. Olhei para ele, que me deu um sorriso. Um chamado vindo de sua casa o fez se despedir de mim e ir embora. Fiquei olhando-o até que o visse atravessar a porta. Olhei para o céu e entrei para casa, sem saber mais um vez, nem sequer o seu nome.


Beijos e me liga para contar das suas folhas secas :*


PS: Leia a primeira parte aqui :)
PS2: Desculpem a demora para postar, é que as aulas já começaram e agora ficou meio puxado para postar sempre :/
PS3: Comente, deixe a sua marquinha :)