Acordei com o sol batendo em meu rosto. Abri os olhos devagar, afinal, a claridade era forte. Vi através da janela que o dia estava bom, o sol já estava alto e o céu azul. Respirei fundo e fechei os olhos novamente, colocando minha cabeça em ordem e me acordando por inteiro; só depois de alguns minutos eu pude me lembrar da noite passada. Para ser sincera, preferia não ter lembrado.
Olhei para o relógio, que me mostrou já estar um tanto quanto tarde. Nunca dormi tanto, mas acredito que uma boa noite de sono era tudo que eu mais precisava e ao mesmo tempo, uma noite bem dormida era tudo que eu não tive nas últimas semanas. A vontade de ficar ali, estirada na cama sem fazer e nem pensar em absolutamente nada, venceu a idéia de me levantar. Olhei novamente para a janela e percebi que eu realmente tinha uma vista privilegiada; na altura do décimo oitavo andar dava para ver o mar nitidamente. Pensei em me levantar e caminhar pelo calçadão, mas fui derrotada pela preguiça. Estiquei meu braço na tentativa de alcançar meu celular, que estava na mesinha próxima à cama, mas não consegui. Me estressei comigo mesma e essa minha preguiça incontrolável e finalmente, me sentei na cama. Com os pés no chão frio, o cabelo bagunçado e o pijama totalmente amassado, levei a mão na cabeça com o intuito de tirar alguns fios que insistiam em atrapalhar minha visão.
Quando eu menos esperava, a claridade do celular desviou meus olhos e eu pude ver que ele estava tocando. E a música que tocava era a que eu menos queria ouvir naquele momento, simplesmente porque ela me lembrava o que eu queria esquecer. Mas tenho a certeza de que sempre que ouvi-la, vou lembrar de você. Havia um congestionamento de pensamentos na minha cabeça, o que me impediu de atendê-lo. Enfim, o celular parou de tocar e o quarto voltou ao seu silêncio inicial. Peguei o aparelho e vi quantas chamadas perdidas ele tinha registrado. Eram tantas que eu nem podia acreditar; e todas do mesmo número: o seu. Quando vi as chamadas e seus respectivos horários, que eram de dez em dez minutos desde as 02h00 da manhã, percebi que deixei escapar uma lágrima. Não sei dizer ao certo se era uma lágrima de arrependimento, de tristeza ou até mesmo de uma certa felicidade.
De repente o celular começou a vibrar novamente e aquela música que acabava comigo, consequentemente tocou junto. A indecisão de atender ou não ao telefonema quase me destruiu. Involuntariamente -ou de forma instintiva, melhor dizendo- apertei a tecla vermelha, que cancelava a ligação.
Agora havia chegado a sua vez. É a sua vez de sofrer um pouco e sentir na pele como é agradável ser ignorado e ter todas as suas milhares de ligações canceladas. No Jogo do Sofrimento, essa rodada é sua. E não perca mais o seu tempo me telefonando, caso você não mude e não se torne uma pessoa mais humana, muitas teclas vermelhas ainda serão apertadas.
Beijos e me liga pra contar das suas ligações canceladas :*
PS1: Se eu sou uma pessoa má? Com ~ele~ eu sou, mas foi porque mereceu. Acho que consegui transformar um desabafo em conto. Gostei.
PS2: Comente, deixe a sua marquinha (: