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sábado, 31 de dezembro de 2011

2011, doce 2011.



     Dois mil e onze foi o meu ano. Um ano de mudanças; muitas mudanças. Um ano de radicalizações, da quebra dos meus princípios, da libertação dos vícios humanos que me prendiam a histórias que eu nunca imaginava ser capaz de me soltar; bastou que acreditassem em mim para que isso acontecesse. Foi meu ano de renascer e ver que nem tudo estava perdido. Ano de reconhecer e me conhecer. De perceber que você pode surpreender a qualquer um, mas que se surpreender é fantástico. Foi ano de me surpreenderem, também. Foi ano da vida me deixar surpresa.
      Foi um ano difícil, porém. Mas sabe quando suas ações se tornam mais importantes do que as consequências? Me arrependo de não ter buscado ser feliz antes. Só disso. Não me arrependo de ter entrado na vida das pessoas e nem de ter permitido que entrassem na minha. Às que entraram e permaneceram: vocês merecem estar comigo por tudo que fizeram. Às que entraram e logo saíram de cena: vocês fizeram o que havia de ser feito e depois da missão cumprida, saíram; obrigada por isso.
      No calor do momento, na dor da perda, você não é capaz de enxergar que quem saiu da sua vida contribuiu para alguma coisa. Mas quando o tempo passa e você já está fora da situação, é que se pode compreender que tudo tem um porquê. Ao meus inimigos: obrigada por me conhecerem; contribuíram indiretamente com a minha vasta felicidade e me fizeram crescer. Aos que me desejaram mal o tempo todo e que fizeram de tudo para me derrubar: foi esforço em vão. Absorvi dores, tomei raivas, fiquei irritada com vocês. Mas mais uma vez: a felicidade da ação supera o desconforto da consequência. Aos que, mesmo depois de me verem inabalável esse ano todo, ainda assim insistem em me fazer algum mal no próximo ano: tentem. Mas tentem mesmo, porque vocês precisarão suar.
      Aos meus amigos que estiveram do meu lado: não meço ações para lhes agradecer tudo que já fizeram. Desde os que só me ofereceram palavras de conforto até os que permitiram que eu procurasse consolo já na calada da madrugada. Vocês me sustentaram e alguns, mesmo longe, fizeram o possível para estarem do meu lado sempre. Meu ano foi incrível graças a participação de cada um de vocês.
       Às minhas leitoras: meu sincero obrigada e eternos parabéns por escreverem tão bem e contribuírem com um mundo que todos deveriam conhecer; o mundo da escrita. Obrigada pelo carinho, atenção e elogios que recebi. O resultado disso é um livro maravilhoso.
      Ao meu amor: não tenho o que lhe dizer, meu anjo da guarda. Já lhe disse tudo, mas repito se for preciso: obrigada por estar comigo vinte e quatro horas por dia, dia e noite, sete dias por semana, trinta dias no mês e trezentos e sessenta e cinco dias no ano. Obrigada por ser minha estrutura e nunca ter me deixado cair desde então. Obrigada por fazer de mim a melhor pessoa que eu poderia ser, e por fazer da minha vida o ideal de felicidade mútua. Eu te amo muito.
        E a Deus: o Senhor tem visto tudo e eu não preciso dizer absolutamente nada além de um obrigada. Um muito obrigada. 
         2011. Meu ano. E que 2012 consiga superar me trazendo ainda mais felicidades.


Beijos e me liga para contar do seu 2011 :*




PS1: Espero que cada um de vocês tenham passado por um ótimo 2011, e desejo do fundo do coração que 2012 seja absolutamente perfeito!
PS2: Tenho uma impressão gigantesca de que 2012 vai marcar minha vida e conseguir ser melhor do que 2011. Informação desnecessária, mas queria compartilhar isso!
PS3: Comente, deixe sua marquinha aqui :)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Quem diria, velhinho?


São Carlos, 24 de dezembro de 2011

     Querido Papai Noel, bom velhinho, senhor de vermelho ou qualquer outro apelido que possam lhe dar,
     Fizeste um bom trabalho no ano passado, sabia? Sim, te deixo ficar surpreso por receber uma carta minha em que eu não esteja te xingando ou dizendo o quão incompetente tu és. Este ano, conseguiste superar-te.
     Tudo, exatamente tudo, que havia lhe pedido, recebi. Não na noite do dia 24, debaixo da árvore, mas recebi tudo ao longo do meu 2011. Recebi toda a paz, a felicidade e o amor que tanto lhe disse que queria. Obrigada, velhinho.
     E este ano? Como está a demanda para o senhor? Vou ser solidária contigo, afinal, nada mais justo. Não vou lhe pedir absolutamente nada. Assustou, não? A garota que sempre enviou a carta mais longa, a lista mais extensa e os pedidos mais inalcançáveis... E hoje não pede nada?! Pois bem, as pessoas crescem.
     Só queria uma coisa, que não chega a ser um pedido: apenas conserve toda a paz, felicidade e amor que eu recebi durante todo o ano. Apenas faça-os perdurarem por 2012 inteiro.
     Muito obrigada por finalmente, depois de 16 anos, ter atendido a minha carta. Tenha um ótimo Natal.




                                                                Com carinho,
                                                                a garota pede-tudo                                                                                                                               
Remetente:
Yasmin Vizeu, São Carlos, São Paulo, Brasil.
Destinatário: Papai Noel, Pólo Norte.

Beijos e me liga para contar da sua cartinha ao bom velhinho :*

PS: Se você não leu ou não se lembra da minha carta do último ano, clique aqui.
PS2: Pensei em postar um conto de Natal, mas como não tenho nada até agora, vou deixar aqui o link de um que já foi postado há um tempinho. Quem quiser, está aqui.
PS2: Queria desejar um Feliz Natal à todos os meus leitores, aos que leem e não comentam, aos que leem e comentam de vez em quando, aos que leem e comentam sempre e aos que não leem também. Que a noite de Natal seja recheada de muita felicidade, união e paz na casa de cada um de vocês. Obrigada por estarem comigo em cada postagem, tenho um carinho enorme por vocês.
PS3: Comente, deixe sua marquinha aqui ;)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O melhor presente do mundo.

Olá!
Neste mês que passou, foi meu aniversário. Ganhei o melhor presente que alguém que escreve poderia ganhar; meu amor soube me deixar surpresa.
Ganhei o meu primeiro livro.


( Capa do livro + rosa de chocolate + bombom) 

                                         ( 1ª página)

( Página 8)

                                         ( Última página )

 ( Contra-capa )

Nele, estão alguns dos meus textos:

Além da descrição do blog:
Era uma vez...

E minha descrição:
Me conhece?

Me senti na liberdade de postar fotos do presente, afinal, vocês fazem parte dele. Não tenho muito o que dizer para essa surpresa perfeita... Aliás, acho que tenho sim: amor, eu te amo!

Beijos e me liga para contar do seu presente de aniversário :*


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Um por dois. Dois por um.


    De repente a garota sentiu um nó na garganta que se desfez como um laço mal-feito assim que os olhos permitiram que as lágrimas saíssem. Saudade. Nada além de saudade. Como se fosse pouco e não bastasse. Sentia-se assim já havia um tempo e sabia muito bem que, no fundo, isso não passaria tão rápido. Sentia falta; muita falta. Saudade torna ainda mais vulnerável aquilo que já é por si só frágil.
    Chovia bastante quando a menina miúda, do rosto pequeno e do cabelo ralo decidiu engolir o choro. Como num rápido surto, apanhou o casaco fino de linha e, sem dar a mínima para os ponteiros do relógio que mostravam já ter passado das onze da noite, abriu a porta e cruzou-a numa fração de segundo. O chão de paralelepípedo estava um pouco escorregadio por conta da água que caía desde que o sol se pôs. Começou caminhando lentamente, deixando que cada gota pesada que caía do céu molhasse sua roupa. Cruzou os braços apertando-os contra a barriga. O cabelo começara a ficar úmido e algumas mechas já encharcadas passaram a grudar na bochecha branca e fria da garota. Estava frio, ela admitiu a si mesma.
    Andou por umas duas ou três quadras até parar no meio-fio e decidir ali se sentar. A esta altura, estava aos pingos e sua pele tinha perdido parte da pouca cor que tinha. Unhas e boca, ambos roxeados. Uniu os dois joelhos e abraçou-os, olhando fixamente para a frente. Para a casa da frente. Para a janela da casa. Para o que estava atrás dela. No fundo, a menina sabia que o encontraria ali. Sempre o encontrara ali. Sentiu novamente o nó na garganta. Pausou a respiração por vagos três segundos e voltou a respirar. Estavam tão perto, porém tão distantes. Como se ela estivesse em cima do palco, e ele na última poltrona da plateia.
    Sentiu vontade de correr até a porta, abrí-la bruscamente e abraçá-lo assim como desejara a tanto tempo. Passou a palma da mão abaixo do olho, na tentativa de enxugar aquilo que ela não sabia ser chuva, ou simplesmente lágrima.
    A garota foi invadida por uma dose relevante de adrenalina e notou-se decidida a correr para lá. Fechou os olhos, mordiscou o lábio inferior e soltou um sorriso travesso ao imaginar a surpresa que faria. Pronta para levantar, abriu os olhos. No instante em que avistou a janela novamente, notou a luz, que até dois segundos atrás estivera acesa, agora apagada. Não havia ninguém ali. A casa estava abandonada, vazia, silenciosa e escura. Nunca estivera com gente, não a pelo menos um ano.
    Foi então que notou ter sido levada pela força da saudade. No fundo, a menina sabia não o encontraria ali. Nunca o encontrara ali. Ele estava longe demais para que isso acontecesse.

Beijos e me liga para contar das vezes em que você pensou ter visto alguma coisa :*

PS1: Sempre compartilho tudo com vocês, então queria manifestar minha alegria também. Na última quarta-feira (09) estreamos nossa peça do curso de Teatro. Foi fantástico, absolutamente maravilhoso e carrego lembranças perfeitamente inesquecíveis daquele dia. Se quiserem as fotos, é só me adicionarem no facebook.
PS2: Acho que puderam perceber que o blog mudou um pouquinho. Afinal, o Natal tá chegando e se existe uma coisa que eu adoro fazer, é decorar o blog para essa época. Opiniões são sempre muito bem vindas e eu adoraria que vocês dessem a de vocês.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Estilhaços



    Ando sobrevivendo. Sobrevivendo aos dias que custam a passar, sobrevivendo aos meses que me jogam na cara quanto tempo falta ainda para um possível recomeço. Uma possível vida nova, com um possível sonho realizado e uma possível felicidade. Ando sobrevivendo às dificuldades, me rastejando enquanto o tempo passa. Vou levando enquanto der. Enquanto eu aguentar.
    Ando caminhando pelas águas frias, me arrastando pelos ventos fortes e empurrando com o corpo o peso que é suportar as situações. Ora ou outra a cabeça lateja e anuncia que os pensamentos precisam dar uma trégua à minha vaga mente. Mas ao deitar, o travesseiro se parece tão duro quanto acordar e ver que tudo ainda continua no mesmo lugar. Que as coisas continuam da mesma forma e, pior ainda, que parecem não serem capazes de mudar nunca.
    Vazio. Um vaso vazio ecoa muito mais som do que um vaso cheio.
    Muita coisa ecoa em mim. Ao passo que minha mente não sossega, as noites em claro insistem em abrir as portas para pensamentos que telintam como um talher batendo em uma taça de cristal.
    Seria as pessoas capazes de mudar? Ilusório. Ilusão. Iludida.

  Beijos e me liga para contar da sua ilusão :*

PS: Não me perguntem o que me aconteceu para que esse texto seja escrito, porque eu também estou me questionando isso. Sem motivo algum, sem noção alguma e intenção nenhuma este texto saiu... Assim do nada. E por um segundo chego a reler, pela trilhonésima vez, e notar que talvez nada aí faça sentido. Talvez seja meu inconsciente querendo dizer alguma coisa...
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Alto mar


    Com a subida do nível do mar, aquela ilha estava comprometida. Muito em breve seria inundada e nada mais restaria ali. Vaidade. Riqueza. Alegria. Tristeza. Todos apressados em juntar suas coisas, colocarem em seus respectivos barcos e se distanciarem o quanto antes, enquanto a água tratava de subir. Mas o Amor, o único ali que não tinha como fugir, começara a entrar em desespero. Nenhum barco restara e, quase afogando-se, gritou para a Riqueza que passava com seu barco ao lado:
- Riqueza, toda preciosa, por favor, leve-me contigo...
- Não posso, Amor. Meu barco está cheio de ouro e prata e nada de você caberá aqui.
    Assim que a Riqueza passa navegando, a água lentamente traz o barco da Senhorita Vaidade.
- Vaidade, ajude-me e leve-me junto de ti...
- Argh. Não posso, você sujará meu barco.
    A água subia ao passo que o desespero do Amor aumentava. De repente, velejando passa o barco da Tristeza.
- Tristeza, suplico-lhe que me ajude... Estou me afogando... Deixe-me ir contigo?
- Ah, Amor... Estou tão triste que prefiro seguir sozinha, serias uma péssima companhia.
    A Alegria passa cantarolando alegremente em seu barco e nem se incomoda com os gritos estridentes de socorro do sentimento que ali se afogava.
- Alguém me ajude, por favor! Alguém me ajude...
    Como que num milagre, surge saindo da ilha um barco navegando pra perto do Amor.
- Não chore, Amor... Suba e te levarei comigo.
- Muito obrigado senhor. Por um instante cheguei a pensar que morreria ali.
- Estás a salvo agora, nobre sentimento.
- Qual seu nome, senhor? - disse o Amor.
- Eu sou o Tempo, meu caro.
- E porque o senhor, somente o senhor, resolvestes me salvar?
- Porque somente o tempo é capaz de ajudar e entender um grande amor.

Beijos e me liga para contar do sentimentos que você já deixou se afogando :*

PS: Essa é uma das cenas da peça que estamos ensaiando na aula de teatro. Fiz algumas modificações. adaptei-a e completei com algumas coisas.
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domingo, 2 de outubro de 2011

l'enfance


    Outubro. Esta é época em que as temperaturas altas e os americanos deitados debaixo de árvores no Central Park dão lugar às folhas secas e, ora marrons ora avermelhadas, caídas pelas calçadas. Os fins de tarde com muito vento anunciavam que dentro de três meses já seria Natal. Os casacos já começavam a serem tirados do guarda-roupas e a paisagem começara a mudar.
     Caminhava pela cidade já havia pelo menos uma hora. Presenciei de tudo: desde o casal discutindo dentro do carro em meio ao trânsito até a criança que estava dentro do carrinho, observando curiosamente um pássaro que alimentava seu filhote dentro do ninho, no topo da árvore.
    Mas foi quando, passando pela calçada do Lincoln Center, ouço um toque ritmado de piano. Doce, lento, delicado. Demorei alguns segundos para perceber que a música vinha do prédio, onde ficava o New York City Ballet. Famosa pelas mais impecáveis apresentações e pelos mais disciplinados bailarinos, a companhia de ballet me fascinava desde quando me entendia por gente.
    Entrei e caminhei até chegar onde estavam acontecendo os ensaios. Não pude deixar de notar que era o horário das crianças. Não chegavam a um metro de altura, garotinhas brilhantemente vestidas com as roupas do espetáculo, e mais se pareciam bonecas. A música era tocada por um piano de longa cauda, localizado no fundo do lado esquerdo do palco. Recostei no batente e me permiti observar a dança.
     De repente meu corpo parou. Minha mente se desligou instantaneamente quando a música principal de O Quebra Nozes começou a ser tocada. Senti uma onda me invadir. Poderia ficar o resto da vida tentando explicar o que senti, mas nada chegaria perto do real. E foi então que me vi lembrando de quando eu era mais próxima das sapatilhas, dos collants, do palco, do piano. Não devia ter mais do que quatro anos. O Quebra Nozes foi meu primeiro, e último, espetáculo.
    Porém, o que mais me chamara a atenção foi uma das bailarinas. Loira, coque preso no alto da cabeça, branca como algodão, um pouco menor que o restante da turma. Olhos azuis. Senti como se me visse ali, naquela garota, há pelo menos uns vinte anos atrás. Vendo-a ali, naquele figurino bordado em pedras e com um tule quase maior que a menina, me lembrei de uma fotografia. Eu, o mesmo figurino e mamãe, depois do espetáculo. Saudade.
    Alguns pais começaram a passar por mim e irem em direção ao palco. Olhei para o relógio e vi quanto tempo já havia passado, a aula chegara ao final. Vi quase todas as crianças saírem de mãos dadas com seus respectivos pais. A garotinha loira, dona dos olhos azuis, passou por mim e, talvez por ter percebido meu sorriso enquanto vinha, soltou um doce e inocente:
- Olá, moça bonita.

Beijos e me liga para contar do seu tempo de garotinha bailarina :*

PS: Texto totalmente fictício. Nunca tive habilidade nenhuma para a dança... Sempre achei a coisa mais maravilhosa do mundo ballet clássico, mas infelizmente não levo jeito pra coisa.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Rosas Secas


    O quarto estava em absoluto silêncio e o único barulho que preenchia o cômodo era o aparelho que media os batimentos cardíacos da garota. Um barulho intenso e estridente. Havia uma cama, uma poltrona desocupada e um aparelho de televisão.
    Ao abrir os olhos, levou pelo menos um minuto para que a visão se acostumasse com o branco do quarto e com a claridade que entrava por entre as persianas da janela. Esfregou os olhos algumas vezes; estava cansada, muito cansada. Embora não fizesse nada além de permanecer deitada naquela cama o dia todo, desde os últimos trinta dias, ela se sentia exausta. Mas exausta mesmo ela se sentia por dentro, e isso já vinha de longa data. Desde que descobrira a doença que tinha, e ainda mais quando percebeu estar morrendo aos poucos, a cada dia mais, jogada naquela cama de hospital. Já nem se lembrava mais como era estar em casa, como era acordar com o despertador tocando para ir à aula e, embora reclamasse demais, hoje sentia falta de ter uma vida normal. Mas o que mais sentia falta era do seu amor. Todos os dias ele ia vê-la e levava de presente um botão de rosa -sou obrigada a dizer que já havia dúzias delas no quarto-. Saía da aula no final da tarde e ficava ao lado dela até que adormecesse, e só então ia embora. Mas não era, nem de longe, como quando ela ainda podia viver.  Lembrava de cada mínimo detalhe de desde quando se conheceram, até a última visita que ele fizera a ela, na noite passada. Sentia saudade de todos os domingos de tédio, que só não se tornavam mais entediantes porque sempre tinha sua companhia. Dos sábados a noite, que às vezes eram quietos, outras vezes agitados. E posso fazer uma observação? As briguinhas bobas sempre aconteciam de sábado a noite. A garota nunca soube o porquê, mas sempre que brigavam era de sábado a noite.
    Acabou deixando um riso escapar pelo canto da boca ao lembrar. Sentia falta das brigas também. Espera que eu diga que as brigas daquele casal eram daquelas que começavam nas implicâncias, passavam pelos gritos e depois terminavam no beijo mais apaixonado? Não, as brigas deles começavam nos gritos e terminavam na maior gama de palavrões imagináveis. Mas pergunte se essas discussõezinhas duravam mais de dois dias? No final, chegavam pedidos de desculpas via sms.
    Ele adorava fazer surpresas, assim como ela amava ser surpreendida. Algumas delas não deram certo, afinal, gostar de fazer surpresas não quer dizer que ele as soubesse fazer direito. Ela não era boba nem nada e vez ou outra descobria,  mas tenho que dizer que era bem mais gostoso. Esquisito, não? Pois é, eles eram esquisitos. Mas eram felizes, e isso qualquer um podia ver. E eles se amavam.
    Voltando à realidade, sentiu-se novamente. Embora os médicos evitassem falar dos poucos dias que lhe restava, ela sabia que já não lhe sobrara muito. Embora quisesse poder voltar à vida, sabia que se partisse naquele instante, partiria bem. Não feliz, mas bem. Tinha boas lembranças da vida.
   Hoje a garota acordara sentindo que tinha menos tempo ainda. Virou a cabeça para o lado, não viu ninguém. Esticou o braço até que pudesse alcançar a gaveta do criado-mudo branco. Tirou dali um pedaço de papel e uma caneta. Mal conseguia segurá-la, e o "eu te amo" saiu com letras tremidas. Pousou o bilhete ao lado do vaso com os botões de rosa, que também se encontravam na mesinha de cabeceira. De repente, sentiu um cansaço enorme e um sono incontrolável.
     Dizem que a gente sempre sabe quando chegou a hora, e ela costatou isso quando fechou os olhos para dormir e nunca mais acordou.

Beijos e me liga para contar das vezes em que você viu a vida passar pelos olhos como um filme :*

PS: Ultimamente anda sendo muito difícil escrever... inspiração 0. Tenho dado um intervalo maior do que gostaria entre uma postagem e outra (inclusive ouvi cobranças a respeito, né Renan? Eu sei que você está lendo isso, amor.) mas realmente está sendo difícil escrever.
PS2: Poréééém, hoje sentei determinada a produzir algo e o resultando me rendeu uma sensação que há muito não sentia ao escrever. Gostei muito de ter feito este texto, e peço desculpas pelo tamanho; mas quando a inspiração vem, o negócio é aproveitar.
PS3: Mais alguns itens cumpridos na Wish List!
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Até logo...



      O espelho a encarava. Refletia um rosto calmo, delicado, uma pele clara e lábios levemente rosados. As cortinas da janela de madeira balançavam de forma que anunciasse a manhã fresca que estava por vir; e a harmonia da brisa, junto dos poucos raios de sol que conseguiam atravessar as nuvens, era quase a mesma harmonia que se instalava dentro da garota. Há muito não se sentira tão bem.
      Passou a escova por entre os cabelos dourados e amarrou os delicados cachos com uma fita de cetim branca. Passou a palma das mãos pela caixinha de jóias, encapada por um veludo vermelho, e tirou a poeira que ali repousava. Abriu-a e, deixando escapar uma doce e lenta música dali de dentro, passeou a ponta dos dedos pelos cantos da caixa, como quem acariciasse algo. Pescou o brinco que mais adorava: uma pequena estrela dourada. Colocou-os e em seguida puxou uma correntinha, cujo pingente era um relicário. Ali dentro descansava uma foto, e carregar aquela corrente junto do peito toda vez em que saía era uma forma de manter perto dela quem estava longe.
      Voltou a olhar-se no espelho. Ajeitou o vestido, deu uma leve borrifada de perfume em cada lado do pescoço, e em seguida sentou-se à beira da cama. Estava pronta. Prontinha. Só faltava acreditar que finalmente o momento chegara. Custou a entender que poucos minutos era o que a distanciava do abraço que desejara desde o último longo semestre.
      Já te disseram que a saudade é capaz de torturar as pessoas? E se você acha que existe sentimento pior do que a saudade de quem não se pode ter ao lado sempre, sinto lhe dizer, mas você está redondamente enganado. Só quem sente é que sabe.
      A garota do vestido longo, de tecido fino e flores levemente desbotadas levantou-se, deu uma breve olhada no espelho e sorriu com o resultado que ali se refletia. Ela estava em paz. Por mais íncrivel que isso possa parecer, ela estava plenamente em paz.
     Apanhou a bolsa e saiu porta a fora, saltitando por dentro e exalando alegria.
     No final do dia, quando o sol se escondeu e permitiu que aquelas duas pessoas sentadas a beira do lago fossem iluminadas pela luz da Lua, ela sentiu-se da mesma forma que havia se sentido na última vez em que vira quem tanto amava. E, novamente, concluiu: a despedida é a pior parte de um reencontro.

Beijos e me liga pra contar do teu reencontro :*

PS1: Acho que não tenho muito o que dizer depois deste conto...
PS2: Ando estado tão ausente do blog que até me sinto envergonhada... só tenho que pedir desculpas :(
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domingo, 14 de agosto de 2011

Feliz Dia dos Pais.


Ninguém seria capaz de entender o que é ter uma pessoa como você na minha vida. É como ter o paraíso ao redor, a paz na palma das mãos e a segurança dentro de si. É como sentir que nada pode te atingir, que nada vai te machucar. É estar sempre em paz.
Já ouvi dizer que Deus coloca na vida de um cada um, uma pessoa para ser seu anjo da guarda. E sabe, tenho certeza que o meu é você. Vejo tanto de mim em você, que nós não poderíamos ser outra coisa senão pai e filha. Não consigo falar de você para alguém sem antes deixar escapar uma lágrima.
Abriria mão de qualquer coisa que eu tenho, por você. Porque sem você, eu não teria nada que eu tenho; não teria a alegria de te ver chegar em casa com aquele sorriso estampado no rosto que só você tem; com um bom humor indescritível que eu só consigo ver em você. Com o carinho que você tem por mim. Não tem ideia do quanto eu agradeço cada segundo por ter a pessoa mais perfeita comigo. Não poderia ser alguém melhor.
Te acho a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci, admiro cada parte de você. Esse teu jeito maravilhoso de nunca se abalar com os problemas, ou pelo menos não demonstrar isso. Esse teu jeito de sempre encontrar uma maneira de resolver as coisas, independente do tamanho delas. E sabe, se algum dia eu conseguir ser pelo menos metade do que você é, serei a pessoa mais feliz do mundo.
Nada seria capaz de expressar o tamanho do meu amor por você; nada que eu dissesse ou escrevesse. É uma coisa que só quem sente sabe. Me promete que vai estar sempre comigo? Eu te amo muito.
Feliz dia dos pais!

Ps1: Não tenho nem o que dizer do quanto eu chorei escrevendo este texto. Acho que nenhuma de vocês seria capaz de entender o quanto meu pai é importante na minha vida. Não foi o meu texto mais bem escrito, mas tenho certeza que é o que mais tem sentimento.
Ps2: Em quinze anos, nunca tinha visto meu pai chorar. O fiz chorar com uma folha de fichário, esse rabisco, e essa foto nossa.
Ps3: Desejo um Feliz Dia dos Pais a todos os papais do mundo ;)