
__Era sábado a noite. Assim como foi da última vez, um sábado a noite, em que eu mal sabia o que estava por vir. Foi exatamente idêntico; um dia sem nada de atrativo, uma noite solitária e na companhia fiel da internet. As luzes estavam apagadas e o cômodo era iluminado apenas pela pouca claridade que o monitor do computador oferecia.
__Minhas esperanças à respeito de você já haviam ido embora e a idéia de ouvir a sua voz, te ver ou sentir o seu perfume também já não eram mais válidas. Não seria o mais correto dizer que o que eu sentia era decepção, e sim desilusão. Hora ou outra me pegava pensando vagamente em você, mas dava-se logo um jeito de me distrair, para evitar maiores angustias. Tudo o que eu menos esperava era você.
__Ventava um pouco do lado de fora, e da minha jane
la podia-se ouvir o vento, as folhas sendo levadas pelo asfalto e algumas pessoas que passavam caminhando. Foi quando, sem ouvir um passou outro na calçada, e sequer um estalo de folhas secas no chão, ouço meu nome sendo falado em tom mais alto do lado de fora. Incrivelmente, em fração de segundo eu sabia que era você. Podia ser qu
alquer um mas o primeiro que, instantâneamente, surgiu na minha cabeça foi você. Era como se eu esperasse por aquilo, sem saber que aconteceria. Suponho que eu não precise dizer que o meu coração disparou. Não por você estar na porta da minha casa -confesso que por isso também- mas por ter certeza de que seria massacrada por pais desconfiados e extremamente conservadores que sentavam-se na varanda, bem próximo ao portão.
__Tentei fingir que nada ouvi, na esperança de que alguém também não ouvisse. De nada adiantou, afinal, a sua coragem se sobressaiu fazendo-o pedir para o meu pai que me chamasse. Agora não havia como fugir da situação. Saí do quarto e desci os degraus que me levavam até a garagem, mas confesso que, no estado em que eu me encontrava não era muito fácil descer degraus. Entre as grades do portão pude ver você.
Ou melhor, pude ver a sua sombra, já que a iluminação era somente dos postes de luz em tom alaranjado. Me aproximei do portão e puder ver um pouco do seu rosto, bem pouco, mas o suficiente para fazer minha vontade de te abraçar aumentar. Por mais que eu quisesse aquilo, eu não poderia me arriscar.
__Alguns longos segundos se passaram somente olho no olho até que você ousou em dizer um tímido "oi". Respondi e sem hesitar você disse que queria que eu saísse. Falei alguma coisa, em tom mais baixo, que te fez aproximar mais ainda do portão, revelando o seu perfume. Aquele mesmo perfume que eu tenho guardado na memória até hoje.
__Te disse para ir embora, disse que não poderi
a sair e que conversaríamos mais tarde pela internet. Isso por que a minha vontade era de abrir aquele portão e poder sentir o seu calor. Poder te abraçar e tirar toda a saudade que eu guardava no peito há mais de um ano. Repeti para ir embora , que conversaríamos depois e não esperei sua resposta. Com o coração na mão, virei as costas e
entrei.
__Tudo o que você me disse depois, todas as palavras lindas que ninguém nunca tinha me dito e que você disse só me ajudaram a manter a consciência pesada. Me sinto muito mal por isso até hoje. Mas só quero que saiba, meu amor, que se dependesse de mim, seria tudo diferente. Seria tudo como eu sempre quis. Como eu sempre sonhei.
Beijos e me liga pra contar da sua surpresa de sábado a noite :*
PS: História baseada em fatos mais do que reais :/
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