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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Eu te amei. E não foi pouco.


O dia amanheceu de um jeito diferente. Eu não sabia ao certo o que o tornava incomum, mas sei que ele não me passava uma boa sensação. Embora o sol estivesse brilhando lá fora, o céu estivesse mais azul do que nunca e das nuvens, nada se via, eu ainda estava com um sentimento um tanto quanto estranho. Levantei da cama logo cedo e, involuntariamente, meu olhar foi desviado para o calendário, que mostrava a data: 03 de Dezembro. Um ano. Já fazia um ano.
Por mais que eu negasse, mentisse e desmentisse, acreditasse ou desacreditasse, nada mais era como antes. Não ao menos depois de tudo o que aconteceu. Fiquei lembrando, com a maior riqueza de detalhes, como as coisas aconteceram. Eu aqui, você aí. Eu com ele, você com ela. Eu com a minha vida, você com a sua. E confesso que passei a acreditar nesse tal de destino, esse que une as pessoas que tinham tudo para não se encontrarem. E foi tudo tão rápido, tão repentino.
Eu tive tanto medo de fazer a escolha errada e acabar estragando toda a vida que eu já havia construído ao lado de outra pessoa. Mas você estava decidido, e parecia não ter esse medo. Era o destino, tenho certeza.
Não consegui. Largar tudo para ficar com você, quero dizer. E assim nos distanciamos. Me lembro de tudo como se fosse ontem; me lembro da sua voz quando atendeu o telefone e de como as minhas palavras falharam na hora de dizer tudo aquilo. Saiba que doeu em mim.
O tempo passou, e eu tinha poucas notícias de você. Sabia que você havia casado, que sua mãe havia morrido e que seu pai não estava bem. Mas também sabia que você não estava feliz. Da mesma forma que eu não estava; da mesma forma que eu ainda sentia vontade de chorar sempre que ouvia teu nome, ou alguém falando de você. Mas havia uma única coisa que eu ainda não sabia, e não sei se gostaria de ter ficado sabendo.
Estava sentada na minha mesa, cercada por todas aquelas papeladas quando o telefone tocou. Era a secretária da agência da sua cidade. Com a voz tremida e baixa, me deu a noticia. Foi o pior dia da minha vida. Meu mundo estava caindo naquele instante. Porque não me disse que estava doente? Porque não me contou nada? Porque teve que ir? Justo agora?
E o destino pregava-me mais uma peça. Me sinto arrependida até hoje por não ter te dado um último abraço. Um último beijo. Mas sinto mais arrependimento ainda por não ter ouvido o meu coração e ficado contigo.
Mas sabe, aprendi muita coisa com você. Aprendi que nada nessa vida acontece por simplesmente acontecer. Aprendi que deve-se dar voz ao coração, e não ao que você julga ser certo ou errado. Aprendi que existem anjos nesse mundo; pessoas que Deus coloca em nossas vidas para cuida de nós. Mas agora, bem, agora eu sei que você se tornou um anjo de verdade. E está aí em cima, olhando por mim.

Beijos e me liga para contar do amor da sua vida que você deixou ir embora :*

PS1: Conto baseado em uma história real. Sinto orgulho de ter a irmã que eu tenho, que independente de ter passado por tudo isso, ergueu a cabeça e seguiu em frente.
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sábado, 7 de maio de 2011

Obstáculo.



- Você sabia né? - começou ela.
- Sim, eu sabia.
- E você também sabia que seria difícil pra mim. Então porque continuou? - disse ela, em tom firme.
- Porque eu... -
- Porque você pensou que poderia ser diferente, não foi? - ela o interrompeu.

Silêncio
.

- É. Foi isso. - respondeu ele.
- Eu tô sofrendo, sabia? Não pense que está sendo fácil, porque não está. Não parece, mas tá doendo, tá machucando, tá apertando, tá torturando. Dá pra pensar um pouco em mim? Pare e se coloque no meu lugar, imagina s...
- Ei - dessa vez, ele a interrompe - pare. Pare com isso. Se está doendo em você, está doendo em mim também. Ou você se esqueceu de tudo que eu já te disse? Você sente, eu sinto. Sou o teu reflexo, o reflexo de tudo que acontece com você. Se você não está feliz, eu também não estou. Se você está chorando, eu choro com você. Se você está satisfeita, eu estou também. E da mesma forma que não está sendo fácil para você, também não está sendo para mim.
- Eu sei - ela diz com lágrimas nos olhos e a voz falhando.
- Eu te amo e muito. Você também sabe disso, não sabe?
- S-sei. - ela tenta conter o choro, faz força mas não consegue. Cai aos prantos nos ombros dele.
- Nunca se esqueça disso, meu amor. Nunca.
Ele beija-a na testa, e a abraça.

Beijos e me liga para contar da sua conversa :*

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sábado, 30 de abril de 2011

Enfim, descansar.



Os vários comprimidos estavam começando a fazer efeito. A vista embaçava, a cabeça girava e os músculos se enfraqueceram permitindo que o corpo relaxasse sobre a cama. Cinco minutos, os seus últimos cinco minutos. Esses que mais pareciam cinco horas, devido a tudo que ela conseguiu lembrar e pensar antes que seus olhos se fechassem para sempre. Lembrou do porquê de ter feito aquilo e, com todos os seus argumentos, estava convencida de que fizera a coisa certa. Pensou que finalmente poderia sanar a dúvida que carregara consigo por tanto tempo: "Quem sentiria sua falta?"
Em fração de um segundo, foi como se estivessem retirado qualquer pensamento de sua mente. Ela se sentia cada vez mais leve, e em perfeito transe. De repente tudo ficou escuro. Foi quando, com muita força, conseguiu abrir os olhos. Ela já não era mais aquela garota. Agora ela era duas. Viu seu corpo ali, adormecido. E morto.
Sentiu um alívio de tal tamanho, a ponto de sentir uma felicidade que em vida não sentia há muito tempo. Deu um passo a frente e se olhou. Olhou seu corpo, quero dizer. Por mais incrível que pareça, não sentiu vontade alguma de voltar a ter domínio dele. Respirou fundo e saiu do quarto. Pode enxergar e ouvir todo mundo, sem que pudesse ser notada; o que, de certa forma, era muito bom. Viu a mãe cruzar a porta de seu quarto, e soltar um grito de desespero. Fechou os olhos e sorriu satisfeita. Mas não era uma satisfação maldosa, era um sentimento de missão cumprida. Chegou perto da mãe e sussurou um "Tudo ficará bem, não se preocupe". Em questão de minutos a casa já estava repleta de para-médicos, que depois de verem que nada mas poderia ser feito, colocaram a garota na ambulância e foram embora. A família estava inconsolável, e em nenhum momento sentiu que tivesse feito a escolha errada. Ela sabia que eles ficariam bem.
Viu pegarem o telefone e discarem um número. Num piscar de olhos estava naquele quarto, sentada na beira da cama dele, o observando escrever sob um papel, na escrivaninha branca. Involuntariamente sorriu; o telefone tocou e ela já sabia da notícia que lhe seria dada. Ele atendeu e a reação, bem, a reação era a que ela não esperava. Foi pior que a reação da família. Mil vezes pior. Agora sim ela começara a repensar no que havia feito, mas nada que a fizesse se culpar. Em frente ao desespero do garoto, ela se aproximou e passou a mão por entre seus cabelos e soltou um "Eu te amo". Mas ele não podia ouvi-la e nem senti-la. No dia seguinte, com todos naquela sala fria e o que antes era seu corpo, a garota pode presenciar toda a cena. Ela realmente estava muito bonita, ou melhor, haviam-na deixado realmente bonita. Ela podia sentir o que cada um ali sentia por dentro. Mas quando se aproximou dele, pode notar quem realmente estava sentindo mais sua falta.
E pode perceber também, que ele a amava mais do que ela imaginava.

*texto TOTALMENTE fictício*

Beijos e me liga pra contar do seu suicídio :*

PS: Vai dizer que você nunca quis saber quem sentiria sua falta?
PS2: Passei um tempinho fora... a inspiração não anda me visitando com tanta frequência.
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domingo, 10 de abril de 2011

Vazio.


Era sexta-feira, seis da tarde. Redação movimentada, dia de fechamento da edição especial de aniversário da revista, e eu estava ali. Sentada, cansada, com os olhos fixados na tela do computador e rodeada de papéis. Quando vi a secretária cruzar a porta com o meu copo de capuccino nas mãos, senti meus olhos brilharem. Já terminara meus deveres, e antes que ela pudesse chegar em minha mesa, já havia juntado todos os papéis e os enfiado na pasta, pegado o notebook e colocado a bolsa no ombro. Só passei a mão no meu capuccino e fui embora. Estava tão quente, que hora ou outra eu tinha que troca-lo de mão, para evitar que meus dedos se queimassem. Acenei para o primeiro táxi que passou pela Central Park West e, por volta e uma ou duas horas depois, estava no prédio. Entrei e, para minha infelicidade, o elevador estava fora de serviço, o que me fez lembrar de contatar o síndico sobre este problema na próxima reunião de condomínio. Subi pelas escadas mesmo, e embora o cansaço estivesse pesando, cheguei sã até o oitavo andar, onde ficava o meu apartamento. Ou melhor, o nosso apartamento.
Ao girar a maçaneta e abrir a porta, me deparei com a escuridão. Procurei, cautelosamente, pelo acendedor e em segundos o ambiente já estava sendo iluminado pela luz amarelada da sala de estar. Joguei na poltrona tudo que carregava nos braços. O casa estava desarrumada e haviam brinquedos espalhados pelo chão da casa toda. Me abaixei para recolhê-los e guardá-los no lugar os primeiros que vi, mas me lembrei que tal esforço seria em vão. Ela não voltaria a brincar com eles. Soltei-os. Me dirigi à cozinha, onde me vi diante da maior pia com louças sujas que já vi na vida. Hesitei em começá-las a limpar, mas me lembrei que ninguém mais haveria de usá-las novamente. Voltei para a sala e no sofá me sentei; liguei o abajur e a mesma mesa que servia de suporte para ele, também abrigava um cinzeiro. Ele sabia que eu odiava quando ele deixava cinzas ali. Por um segundo pensei em jogá-las fora, mas me lembrei de que ele não voltaria a usar aquele cinzeiro.
Me levantei e fui para o quarto da minha menina. Mais brinquedos espalhados pelo chão. A janela estava aberta, ventava bastante e as cortinas balançavam incessantemente. Cheguei a dar um passo em direção à janela, para fechá-la, mas me lembrei de que ninguém mais ficaria doente ali por tomar uma corrente de vento. Ela não dormiria mais ali. Fui para o meu quarto, e a cama encontrava-se desarrumada. Abri as portas do guarda-roupa, que agora estava vazio. Hesitei em arrumar a cama, mas me lembrei de que ninguém mais dormiria ali. Ao menos não no lado em que ele dormia.
Silêncio. Silêncio.Silêncio.
Acordei com um susto, e o coração num disparo só. Sentei-me na cama e olhei para o lado. Ele estava ali. Dormia em sono profundo e eu podia ouvir sua respiração. Dei um suspiro de alívio e senti meus olhos se encherem d'água. Não aguentei, me aproximei e dei um beijo de leve.
Me levantei e fui até o outro quarto. A luz estava apagada e o cômodo era iluminado apenas pela luz rosada do abajur; olhei em direção ao berço e vi ali a minha menina. Meus olhos se encheram d'água novamente e eu me aproximei de onde ela dormia. Descansava delicadamente, em sono intenso... Passei a mão por seus cabelos finos, e a beijei.
Nada como sentir o alívio que senti ao ver os dois ali, dormindo.

Beijos e me liga para contar dos seus sonhos de madrugada :*

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segunda-feira, 28 de março de 2011

Companhia de todas as noites.



Sentimentos
Afeto
União
Distância
Amizade
Dor
Esperança

Saudade. Essa maldita saudade, que resolve aparecer nas horas mais importunas. Ou melhor, aparece em todas as horas. Mas ela só aperta mais, quando chega com toda a sua força, no meio da noite, diante da insônia e de todos os pensamento que aquela cabecinha, invadem. Sem dó nem piedade.
E ultimamente, a Senhorita Saudade e a Senhora Insônia andam fazendo companhia todas as noites àquela garota. Ela pega no sono, mas exatas duas horas mais tarde ela acorda. E acredite, duas horas é o tempo perfeito para que ela possa ter os mesmos sonhos de todas as noites. Sempre os mesmos sonhos, com a mesma pessoa.
E quando ele chega ao final, a Insônia a cutuca, a faz acordar. Senta na beira da cama, e telefona para a Saudade. Em questão de minutos, as duas estão ali no quarto, juntas, mantendo a garota acordada. Ela vira e revira na cama, se cobre e se descobre, levanta e deita de novo. Mas as duas continuam ali.
A Senhorita a abraça, e enchendo o coração da menina de saudades, só assim vai embora. Mas a Senhora Insônia continua ali, intocável, invisível, mas altamente notável. A garota coloca a cabeça no travesseiro e viaja. Sonha, imagina, acredita e sente saudades. Tentou segurar, mas não conseguiu. Uma lágrima acabara de molhar a capa da almofada. Bastou que a Senhora visse que a menina estava chorando, para finalmente ver o trabalho feito e ir embora.
E só assim a garota pegou no sono novamente... Cinco minutos. E o despertador toca.

Beijos e me liga pra contar das suas saudades :*

PS: Fiz algumas pequenas mudanças na barra lateral. Agora a descrição completa sobre mim fica em uma página separada. Se quiser me conhecer melhor, clique aqui.
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sexta-feira, 18 de março de 2011

Surpreendente.



Aquele garoto, aquele cara, sabe? Aquele que me encantou, tá lembrado? Pois bem, ele é você.
É tua culpa todas as vezes em que eu fiquei vermelha de raiva, todas as vezes em que eu fiquei sem palavras, de tanta felicidade; todas as noites sem dormir, todas as noites muito bem dormidas. E também todas contrariedades.
Se lembra daquela nossa briga? Aquela vez em que eu cortei nossas fotografias, dividindo-a em duas partes; numa eu, noutra você. E depois que fizemos as pazes, o arrependimento que eu senti e a vontade de poder colá-las e deixá-las como eram antes, também é culpa tua.
E aquele dia então, como eu iria esquecer? Quando você cruzou a porta da sala com aquele buquê vermelho enorme, parando a aula de biologia e pedindo à professora que o deixasse dar uma palavrinha comigo. Não há dinheiro no mundo que pague a cara de surpresa que eu fiz, e a alegria que eu senti quando você fez aquilo. Também não posso esquecer a forma como você me abraçou, quando meu rosto se avermelhou, enquanto a sala nos aplaudia. Sinceramente? Você é louco. Mas é o meu louco.
Ou quando não armava esses teu planos diabólicos, sempre encontrava um jeitinho de me pegar de surpresa. Às vezes era quando eu estava naquela roda de conversa, com os meus amigos, que você chegava de mansinho, sussurrando alguma coisa ao pé do meu ouvido; ou então, dava de sumir o dia todo só pra, quando a noite caísse, me ouvir dizer que fiquei preocupada e que senti tua falta. Honestamente? Você não é normal. Mas é o meu anormal.
Sem contar dos outros tantos dias em que aparecia aqui em casa, logo cedo, quando eu não estava esperando por você. Sempre dizendo que eu ficava ainda mais bonita quando pega de surpresa; mesmo com aquele pijama amassado, com o cabelo preso, a cara ainda inchada e a voz de sono. E aí nós sentávamos em volta da mesa redonda, e tomávamos café da manhã juntos.
E eu confesso que te amo cada vez mais, a cada surpresa, a cada dia.

*texto fictício*

Beijos e me liga pra contar das tuas surpresas :*
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PS: Sabe quando você assiste filmes demais e começa a acreditar neles? Então. Sonhar faz bem, né.
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Meme Literário ;)



Olá!
Semana passada, a linda da Minne do blog Entrelinhas me indicou para responder a um Meme Literário.


1- Quantas páginas você ler por dia?

Quando eu realmente tenho tempo e o livro é bom, leio o máximo possível. Já cheguei a terminar um livro de trezentas e cinquenta páginas em um dia. Mas ultimamente, com a escola, lições e cia, no máximo umas cinco páginas.

2- Se fosse um personagem de livro, qual seria?

Norah Patch de Sussurro, com certeza. O que mais me encantou no livro foi a forma como eu me identifiquei com a personagem e como nós somos parecidas em algumas situações.

3- Quantos livros você compra e lê por mês?

Não tenho o costume de comprar livros, geralmente os baixo da internet e leio pelo celular. Leio o máximo possível, mas em média estou lendo meio livro por mês.

4- Como é a sua leitura, você lê em voz alta ou silenciosamente?

Silenciosamente. Não consigo focar na leitura se a faço em voz alta.

5- Já pegou livro emprestado de alguém? Gosta de emprestar seus livros?

Já peguei livros emprestados, mas não tenho muito o hábito. Gosto de poder demorar o tempo que for preciso para que eu o leia.

6- Onde você guarda seus livros, tem uma estante para isso?

Os poucos que eu tenho estão guardados em uma gaveta no meu quarto.

7- Cite no minimo três melhores livros que possui na sua estante:

Seria melhor eu citar os três melhores que eu tenho salvo aqui no computador. Seriam eles Sussurro, A Mediadora Vol. 02 e O Diário da Princesa Vol. 04.
8- Qual a sua leitura do momento e o que está achando?

Estou lendo A Mediadora Vol. 03, mas a falta de tempo e a preguiça estão fazendo com que eu enrole cada vez mais para terminá-lo. Com base nas poucas páginas que já li, posso dizer que ele é um livro muito bom. Por ser uma série, ele não é repetitivo e isso é ótimo. Mas enfim, nenhuma reclamação sobre.

9- Indique para 5 ou 10 blogs amigos:

Odeio indicar Memes ou Selinhos, então fica em aberto para quem quiser pegar e responder ;)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Abrir mão.


Antes de começar a leitura, acione a música clicando aqui

Ela caminhava pelo parque, com o vento movimentando a barra do seu vestido florido, e o casaquinho de linha branco, que só ela sabe quantas vezes já o usou. Seus passos lentos pelo gramado denunciavam, sem deixar dúvidas, que ela não sabia o motivo exato pelo qual estara ali. Carregava no ombro esquerdo a bolsa de pano, sua fiel companheira.
Fizera frio a semana toda; chovera, ventara e hoje o tempo tinha dado uma breve trégua, deixando uma espessa neblina pela cidade toda. O lugar já estivera mais cheio, afinal, não é lá muito comum sair de casa para passear no parque em dias de chuva.
Debaixo da árvore, ela se acomodara, jogando de lado a bolsa e recostando-se no tronco. Juntou as duas partes do seu casaco, unindo-as pelo único botão que sobrara nele; cruzou os braços, acomodando as mãos em teus ombros. Gesto esse que mais se parecia um auto-abraço. Um abraço que há tempos não recebia, mas que só ela sabia que falta que ele fazia. Deslizou a mão pelo zíper da bolsa e abrindo-a, tirou de lá um envelope amassado com algumas fotos dentro.
Levantou-se e seguiu em direção ao lago. Ajoelhou-se à sua beira, sentindo o frio que a grama oferecia. Sentando-se sobre as próprias pernas, abriu o envelope e ousou puxar dali a primeira fotografia. Hesitou em tirá-la por inteiro, pois sabia que se fizesse isso, nunca conseguiria fazer o que estava prestes a ser feito. Dobrou a aba do que servia de abrigo às fotos, acariciou pela última vez o papel, e passou os olhos pelo escrito que constava ali. "Que seja eterno enquanto dure". Com um nó na garganta e toda a força do mundo para conter o choro, deixou que o envelope caísse sobre as águas. Em poucos minutos, nem sinal das fotos restava mais.
Passou a mão pelo pescoço, e desprendeu a corrente dourada. Com o relicário delicadamente respousado na palma de suas mãos, soltou um suspiro. Abriu-o e o encarou por um último instante. Duas pequenas fotos, dois sorrisos, dois jovens, duas vidas, dois caminhos que se cruzaram e depois se descruzaram. Relembrou, vagamente, do lindo casal que formavam. Mas infelizmente, isso não foi o suficiente para que ela pudesse se conter e esquecer a ideia de que tudo acabara. Com a corrente entrelaçada entre os dedos, foi descendo lentamente a mão até que o pingente pudesse tocar a água, e consequentemente, deslizasse pela pele clara e caísse. Ela manteve seus olhos fixados no objeto dourado até que ele desaparecesse.
Com o dedo indicador, limpou a única lágrima que derramara. Apanhou a bolsa, levantou-se e foi embora.

Beijos e me liga para contar das lembranças que você já desfez :*


PS: Resolvi inovar um pouco e colocar uma música para dar mais ênfase ao conto. E por mais incrível que pareça, este foi um dos textos que eu mais gostei de escrever.
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quarta-feira, 2 de março de 2011

Da água para o vinho. Temporariamente.

Era sábado. Céu azul, sol aconchegante, poucas nuvens; dia que favorecia a sensação de alegria em qualquer um, até mesmo em mim, que costumo estar sempre animada aos sábados. Mas não. Por mais contraditório que isso possa parecer, foi um pouco diferente naquele sábado. O céu, o sol, as nuvens e o dia da semana passam a não fazer sentido algum quando se acorda com uma visão distorcida das coisas. Sabe quando te dá aquela vontade enorme de mudar? Pois bem. É esse tipo de vontade que me fez acordar, abrir o armário e a descartar o bom e clichê jeans que eu possivelmente usaria, em dias normais. Foi diferente desta vez, arranquei a legging de couro, juntei com aquela bata escrito "Fuck You" e um cinto de tachinhas para ajudar. Desenterrei minhas maquiagens escuras e o meu kajal preto.
Depois de quase ser deserdada pela mãe, que apontou o dedo para mim e soltou um "você está parecendo uma perdida!", saí de casa. No fundo eu sabia que não estava parecendo uma perdida, até porque minha mãe, que nasceu há quase cinco décadas atrás não sabe o que é uma perdida a la século XXI. Mas confesso que eu estava bem daquele jeito, o que cai entre nós, era bem diferente do que eu estava acostumada a vestir. É claro que ao dar cada passo na rua, recebia um olhar ou outro de canto, de uma senhora ou outra mal amada. Mas isso já não me importava.
Mudar faz bem, é fundamental e é a lei da vida. Só lamento que em mim, esse tipo de mudança não dura por muito tempo. No domingo? Acordei felizinha, vesti minha saia de babados florida, meu batom cor de rosa e fui passear no shopping com a minha bolsa de fifi.

Beijos e me liga pra contar da tua mudança :*

PS: Ontem (01/03) o blog fez um ano \o/ Infelizmente não tive tempo de pensar em alguma coisa pra postar em comemoração a data... Mas eu fico feliz em ver que o meu durou esse tempo todo, quando geralmente a vida útil de um blog é de mais ou menos três meses.
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tentar e se arriscar.

Tentar. Eu tenho medo disso.
Medo de tentar e não obter resultado, de tentar e não conseguir, de lutar e não adiantar. Meu receio é por tudo aquilo que não me garante. Medo do talvez, que me proporciona incerteza quanto ao que está por vir. Até porque realizo o presente, presa ao passado, projetando o futuro, e sei que é errado. Tenho medo das certezas, que na maioria das vezes me são incertas. Totalmente incertas. Tenho medo do impossível, que já me provou poder tornar-se possível facilmente; quando você menos espera.
Mas tudo é um risco, e ninguém é igual. Se nunca tentasse, não saberia como teria sido se ao menos tivesse permitido acontecer. E carregaria comigo pra sempre aquela incerteza de que poderia ter sido diferente. E como já disse, tenho medo das incertezas.
Tentou e não deu certo? Paciência. Tente novamente que um dia dará. Terá que dar.
Mas se você não permitir que isso aconteça, as oportunidades não cairão no teu quintal, meu caro. E se não deu certo uma vez, duas, três, ou seja lá quantas vezes for, esse não é motivo para você desistir e crer que nunca mais conseguirá. Se você tentou, se machucou e prometeu a si mesmo nunca mais insistir naquilo, pois quebre esta promessa. Ninguém é igual. Não é porque não deu certo com um, que não dará com todos.
Quer a felicidade? Lute.
Quer o amor? Busque.
Quer a confiança? Confie.
Quer a realização? Acredite.
Lute, busque, confie, acredite; e o resto será consequência. Só nunca deixe de tentar.

Beijos e me liga pra contar das suas tentativas :*


PS: É, na falta de alguma coisa com um real conteúdo, eu desenvolvi esse textinho que, como se fosse novidade, eu não gostei.
PS2: Segunda-feira (01), o blog estará comemorando um ano de existência \o/ Eu ainda estou pensando em alguma coisa que eu possa fazer pra comemorar, mas sugestões são super bem-vindas ;)
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