terça-feira, 8 de janeiro de 2013

(Sol)idão.

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              A semana tinha sido de muita chuva, mas São Pedro decidira dar uma trégua naquela tarde. O Sol saiu de mansinho, lançando fracos e tímidos raios de luz naquele começo de tarde, fazendo com que eu me sentisse na obrigação de sair e aproveitar a brecha que a chuva tinha dado, antes que as nuvens carregadas voltassem a cobrir o céu. Sentei-me no banco de uma praça movimentada que dava vista a uma rua também movimentada. Fiquei ali, parada por alguns minutos só observando tudo o que estava ao meu alcance; quem me via de longe, sozinha naquele banco e debaixo do Sol que acabara de sair, podia arriscar jurar que o que eu estava fazendo ali era fotossíntese. Mas não, eu estava apenas observando.
            De repente, pareceu que um vento bateu e plantou uma sementinha na minha mente pensativa e então eu comecei a reparar em alguns detalhes que passam despercebidos para a maioria. Tudo tem um par. Em alguns casos, não necessariamente um par, mas percebi que nada está disperso no mundo. Atrás de mim tinha um jardim e a primeira coisa que me fez refletir sobre essa questão da "companhia" foram as plantas. Num mesmo caule, por exemplo, havia várias folhas. Numa mesma flor, várias pétalas. E até a grama, que parece ser independente, tem suas raízes entrelaçadas umas as outras, debaixo da terra. Ao lado do meu banco, tinha uma fileira de formigas que seguiam juntas caminhando em zigue-zague, o que de longe fazia parecer uma série de pontinhos se mexendo aleatoriamente. Mas estavam juntas.
          Por um segundo pensei estar enlouquecendo e sacudi a cabeça na tentativa de diluir aquele pensamento aparentemente sem nexo. Olhei no banco ao lado e tinha um casal sentado. Ok, nada de anormal, muitos casais vão às praças. Mais a frente tinha uma porção de crianças juntas, todas pulando e gritando; deduzi que faziam parte de alguma excursão de uma escola qualquer, tendo em vista havia um museu próximo ao lugar onde eu estava. O que me chamou a atenção foi ver que todas aquelas crianças estavam ali, aproveitando a companhia umas das outras e partilhando aquele momento juntas.
            Virei para a esquerda e vi uma senhora caminhar depressa. Ela estava sozinha! Ah, não, espera... Ela está no celular. Na rua passou um ônibus lotado e um táxi com uma moça e o motorista, além de algumas muitas pessoas que caminhavam pela calçada.
           A verdade é que ninguém vive sozinho. A gente pode até dizer que gosta da solidão, que curte passar uma tarde sem ninguém em casa ou até tirar um fim de semana para não fazer nada e não ver ninguém. A solidão faz bem e de vez em quando é necessária. De vez em quando. Quando a falta de companhia perdura por muito tempo, começa a machucar, a deprimir, a fazer mal; e aí a gente percebe que precisa de alguém. Essa companhia pode ser uma mãe, um irmão, um amigo, um parceiro; principalmente um parceiro. Poderia enumerar e contar sobre uma série de amigas que namoraram por um tempo e depois de uma grande decepção, juraram não quererem saber de namorado por um longo tempo; alguns meses se passaram e lá estavam elas, conhecendo caras novos e dando início a novas histórias. Porque é assim mesmo, a gente sempre vai precisar de uma companhia, por mais que negar isso seja mais fácil do que admitir. Não dá pra viver sozinho. Simples assim. Nascemos para viver em bando e dentro de um bando, com um par.
         A solidão parece ser segura, aliviadora, confortável; e de fato é tudo isso mesmo. Mas uma hora a nossa própria natureza nos obriga a sair da zona de conforto e é aí que o Sol nasce de novo. E ele nasce quantas vezes for preciso.


Dependendo do ponto de vista, este texto pode beirar a paranoia. Mas não sei, de qualquer forma, gostei de tê-lo escrito. Comente! Deixe sua marquinha por aqui.

13 comentários:

  1. É, acho que nascemos para estar em bando. Nunca havia pensado de tal forma, senão pelo fato de que a solidão costuma ser categoricamente triste, pelo menos pra mim.
    Eu também gostei do texto, reflexivo sobre isso.
    Ps. Tem sorteio no meu blog :D
    Beijos

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  2. como dizem: você pode estar sozinha, estando rodeada de gente.
    vc gostou de te-lo escrito, e eu te te-lo lido.

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  3. Olá, adorei o texto e concordo com você. Ninguém nasce para viver só. E para falar a verdade, a vida ia ser muito tediosa se não tivessemos com quem partilhar os pequenos detalhes.

    Até mais!!

    http://www.nofimdeumlivro.blogspot.com.br/

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  4. É verdade o que você disse, o texto quase beira a paranoia. Mas por outro lado, a solidão, muitas vezes, também se faz necessária. Acho que é preciso um meio termo: Nem querer ser sempre só e nem querer sempre está acompanhado. Ninguém vivo sozinho, é verdade, mas muitas vezes precisando na solidão para nos aproximar de nós mesmos.
    Beijinhos

    hiperbolismos.com

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  5. Oi Yasmin!
    Bom, se esse texto está beirando a paranoia, então estou maluca também porque pra mim fez sentido...rsrs
    Concordo com você, todos nós precisamos de um momento para pensar ou até mesmo para ficar consigo mesmo e por mais que para alguns seja bom essa vida solitária, tem uma hora que a gente realmente sente falta de um "par".
    Adorei a sua frase: "(...) Sol nasce de novo. E ele nasce quantas vezes for preciso." Linda! Totalmente verdade!

    Beijos amiga
    Saudades!
    http://livrosebatons.blogspot.com.br

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  6. Adorei o texto e concordo... as vezes sentimos uma necessidade de tirar um tempo apenas para nós mesmos, mas logo precisamos de tudo e todos novamente. Beiju!

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  7. Concordo com você. Quem nunca jurou que não iria mais ter ninguém após uma decepção amorosa, não é mesmo? Mas, a companhia e o contato com o outro é inerente ao ser humano, precisamos disso pra viver. E por mais que neguemos o óbvio ele será sempre óbvio e visível... Enfim, como diz uma música que tanto gosto "o bom mesmo é ser feliz ao lado de alguém".
    Excelentes palavras, amei o texto, como sempre, mas em especial esta parte:"o Sol nasce de novo. E ele nasce quantas vezes for preciso.". Obrigada por ter divido conosco, beijos!

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  8. Não dá pra viver sozinho, mesmo que a gente diga que gosta, ninguém gosta de viver sozinho, ter alguém por perto é sempre bom. Beijão <3

    www.detalhesamor.blogspot.com | @keithpappen

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  9. Ah, que lindo! Adorei , beijos...




    Nunca precisou né? rs
    Bom, concordo que ninguém consegue viver sozinho, embora ás vezes necessitamos de solidão, eu por exemplo acho que fiquei mal acostumada, hoje até comentei contigo sobre a "carência" né?
    Tipo namorei durante um tempo, decepcionei total, me fechei por um tempo e agora que eu tinha me acostumado a ter alguém nem sei o que houve direito.
    E é estranho, li uma frase no twitter eu acho que ate não tem nada a ver com o texto mas tem com o comentário que é o seguinte: "Um relacionamento começa errado a partir do momento que ele é baseado na dependência emocional. " Fred Elboni
    Acho que o meu começou assim, ou se tornou assim por isso não deu certo.
    Mas ainda acredito que Deus escreve por linhas tortas e que na hora dele tudo vai dar certo.

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  10. Nada de paranoia. Adorei o texto e achei lindo!
    Ninguém vive sozinho mesmo. Até quando se ESTÁ sozinho. Porque existe realmente uma grande necessidade de ter alguém junto a nós. Isso vale não apenas pra marido ou namorado. A maioria das vezes se baseia em amigos. Mas é bem por aí mesmo.

    Parabéns pelo texto :)

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  11. Paranoia aonde? Esse texto está maravilhoso! A riqueza de detalhes, o jeito como você descreveu cada cena seguidamente de uma forma tão leve, me fez querer estar ali naquele momento, vendo aquilo de verdade, sentindo e descobrindo essas coisas que não vemos, por causa da correria do dia a dia. Simplesmente lindo!
    Ninguém vive sozinho. Todo mundo precisa de alguém, mesmo que indiretamente.

    Beijos,
    Monique <3

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  12. Já me vi de primeira, me pego direto observando coisas que ninguém costuma parar pra olhar, ou pra pensar sobre, e olha, passo horas fazendo isso, já criei tantas teorias ridículas que nem te conto, e eu adoro jardins. Adoro mesmo. ♥ Uma vez até escrevi algo sobre como os vasos de plantas são como mães, que seguram seus filhos em si até que eles estejam prontos pra o mundo, pra se sustentarem sozinhos. No entanto há os filhos que nunca querem estar prontos, não saem da zona de conforto e tal. HUAHUAHAUHAUAH Ok, parei.
    Voltando ao texto, é bem aquela coisa de que há uma diferença enorme entre estar sozinho e ser sozinho, o primeiro estado é necessário, o segundo é deprimente, pelo menos ao me ver, a gente sempre volta pra alguém, ou tem sempre alguém em mente, ser sozinho nessa vida, com tanta gente bacana e interessante, com tanta gente amável, não me parece algo sensato. Como sempre adorando os teus textos, né? Não tem como ser diferente. :*

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Não leio mentes ainda, então não vou saber o que você achou a menos que comente.