sábado, 31 de dezembro de 2011

2011, doce 2011.



     Dois mil e onze foi o meu ano. Um ano de mudanças; muitas mudanças. Um ano de radicalizações, da quebra dos meus princípios, da libertação dos vícios humanos que me prendiam a histórias que eu nunca imaginava ser capaz de me soltar; bastou que acreditassem em mim para que isso acontecesse. Foi meu ano de renascer e ver que nem tudo estava perdido. Ano de reconhecer e me conhecer. De perceber que você pode surpreender a qualquer um, mas que se surpreender é fantástico. Foi ano de me surpreenderem, também. Foi ano da vida me deixar surpresa.
      Foi um ano difícil, porém. Mas sabe quando suas ações se tornam mais importantes do que as consequências? Me arrependo de não ter buscado ser feliz antes. Só disso. Não me arrependo de ter entrado na vida das pessoas e nem de ter permitido que entrassem na minha. Às que entraram e permaneceram: vocês merecem estar comigo por tudo que fizeram. Às que entraram e logo saíram de cena: vocês fizeram o que havia de ser feito e depois da missão cumprida, saíram; obrigada por isso.
      No calor do momento, na dor da perda, você não é capaz de enxergar que quem saiu da sua vida contribuiu para alguma coisa. Mas quando o tempo passa e você já está fora da situação, é que se pode compreender que tudo tem um porquê. Ao meus inimigos: obrigada por me conhecerem; contribuíram indiretamente com a minha vasta felicidade e me fizeram crescer. Aos que me desejaram mal o tempo todo e que fizeram de tudo para me derrubar: foi esforço em vão. Absorvi dores, tomei raivas, fiquei irritada com vocês. Mas mais uma vez: a felicidade da ação supera o desconforto da consequência. Aos que, mesmo depois de me verem inabalável esse ano todo, ainda assim insistem em me fazer algum mal no próximo ano: tentem. Mas tentem mesmo, porque vocês precisarão suar.
      Aos meus amigos que estiveram do meu lado: não meço ações para lhes agradecer tudo que já fizeram. Desde os que só me ofereceram palavras de conforto até os que permitiram que eu procurasse consolo já na calada da madrugada. Vocês me sustentaram e alguns, mesmo longe, fizeram o possível para estarem do meu lado sempre. Meu ano foi incrível graças a participação de cada um de vocês.
       Às minhas leitoras: meu sincero obrigada e eternos parabéns por escreverem tão bem e contribuírem com um mundo que todos deveriam conhecer; o mundo da escrita. Obrigada pelo carinho, atenção e elogios que recebi. O resultado disso é um livro maravilhoso.
      Ao meu amor: não tenho o que lhe dizer, meu anjo da guarda. Já lhe disse tudo, mas repito se for preciso: obrigada por estar comigo vinte e quatro horas por dia, dia e noite, sete dias por semana, trinta dias no mês e trezentos e sessenta e cinco dias no ano. Obrigada por ser minha estrutura e nunca ter me deixado cair desde então. Obrigada por fazer de mim a melhor pessoa que eu poderia ser, e por fazer da minha vida o ideal de felicidade mútua. Eu te amo muito.
        E a Deus: o Senhor tem visto tudo e eu não preciso dizer absolutamente nada além de um obrigada. Um muito obrigada. 
         2011. Meu ano. E que 2012 consiga superar me trazendo ainda mais felicidades.


Beijos e me liga para contar do seu 2011 :*




PS1: Espero que cada um de vocês tenham passado por um ótimo 2011, e desejo do fundo do coração que 2012 seja absolutamente perfeito!
PS2: Tenho uma impressão gigantesca de que 2012 vai marcar minha vida e conseguir ser melhor do que 2011. Informação desnecessária, mas queria compartilhar isso!
PS3: Comente, deixe sua marquinha aqui :)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Quem diria, velhinho?


São Carlos, 24 de dezembro de 2011

     Querido Papai Noel, bom velhinho, senhor de vermelho ou qualquer outro apelido que possam lhe dar,
     Fizeste um bom trabalho no ano passado, sabia? Sim, te deixo ficar surpreso por receber uma carta minha em que eu não esteja te xingando ou dizendo o quão incompetente tu és. Este ano, conseguiste superar-te.
     Tudo, exatamente tudo, que havia lhe pedido, recebi. Não na noite do dia 24, debaixo da árvore, mas recebi tudo ao longo do meu 2011. Recebi toda a paz, a felicidade e o amor que tanto lhe disse que queria. Obrigada, velhinho.
     E este ano? Como está a demanda para o senhor? Vou ser solidária contigo, afinal, nada mais justo. Não vou lhe pedir absolutamente nada. Assustou, não? A garota que sempre enviou a carta mais longa, a lista mais extensa e os pedidos mais inalcançáveis... E hoje não pede nada?! Pois bem, as pessoas crescem.
     Só queria uma coisa, que não chega a ser um pedido: apenas conserve toda a paz, felicidade e amor que eu recebi durante todo o ano. Apenas faça-os perdurarem por 2012 inteiro.
     Muito obrigada por finalmente, depois de 16 anos, ter atendido a minha carta. Tenha um ótimo Natal.




                                                                Com carinho,
                                                                a garota pede-tudo                                                                                                                               
Remetente:
Yasmin Vizeu, São Carlos, São Paulo, Brasil.
Destinatário: Papai Noel, Pólo Norte.

Beijos e me liga para contar da sua cartinha ao bom velhinho :*

PS: Se você não leu ou não se lembra da minha carta do último ano, clique aqui.
PS2: Pensei em postar um conto de Natal, mas como não tenho nada até agora, vou deixar aqui o link de um que já foi postado há um tempinho. Quem quiser, está aqui.
PS2: Queria desejar um Feliz Natal à todos os meus leitores, aos que leem e não comentam, aos que leem e comentam de vez em quando, aos que leem e comentam sempre e aos que não leem também. Que a noite de Natal seja recheada de muita felicidade, união e paz na casa de cada um de vocês. Obrigada por estarem comigo em cada postagem, tenho um carinho enorme por vocês.
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O melhor presente do mundo.

Olá!
Neste mês que passou, foi meu aniversário. Ganhei o melhor presente que alguém que escreve poderia ganhar; meu amor soube me deixar surpresa.
Ganhei o meu primeiro livro.


( Capa do livro + rosa de chocolate + bombom) 

                                         ( 1ª página)

( Página 8)

                                         ( Última página )

 ( Contra-capa )

Nele, estão alguns dos meus textos:

Além da descrição do blog:
Era uma vez...

E minha descrição:
Me conhece?

Me senti na liberdade de postar fotos do presente, afinal, vocês fazem parte dele. Não tenho muito o que dizer para essa surpresa perfeita... Aliás, acho que tenho sim: amor, eu te amo!

Beijos e me liga para contar do seu presente de aniversário :*


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Um por dois. Dois por um.


    De repente a garota sentiu um nó na garganta que se desfez como um laço mal-feito assim que os olhos permitiram que as lágrimas saíssem. Saudade. Nada além de saudade. Como se fosse pouco e não bastasse. Sentia-se assim já havia um tempo e sabia muito bem que, no fundo, isso não passaria tão rápido. Sentia falta; muita falta. Saudade torna ainda mais vulnerável aquilo que já é por si só frágil.
    Chovia bastante quando a menina miúda, do rosto pequeno e do cabelo ralo decidiu engolir o choro. Como num rápido surto, apanhou o casaco fino de linha e, sem dar a mínima para os ponteiros do relógio que mostravam já ter passado das onze da noite, abriu a porta e cruzou-a numa fração de segundo. O chão de paralelepípedo estava um pouco escorregadio por conta da água que caía desde que o sol se pôs. Começou caminhando lentamente, deixando que cada gota pesada que caía do céu molhasse sua roupa. Cruzou os braços apertando-os contra a barriga. O cabelo começara a ficar úmido e algumas mechas já encharcadas passaram a grudar na bochecha branca e fria da garota. Estava frio, ela admitiu a si mesma.
    Andou por umas duas ou três quadras até parar no meio-fio e decidir ali se sentar. A esta altura, estava aos pingos e sua pele tinha perdido parte da pouca cor que tinha. Unhas e boca, ambos roxeados. Uniu os dois joelhos e abraçou-os, olhando fixamente para a frente. Para a casa da frente. Para a janela da casa. Para o que estava atrás dela. No fundo, a menina sabia que o encontraria ali. Sempre o encontrara ali. Sentiu novamente o nó na garganta. Pausou a respiração por vagos três segundos e voltou a respirar. Estavam tão perto, porém tão distantes. Como se ela estivesse em cima do palco, e ele na última poltrona da plateia.
    Sentiu vontade de correr até a porta, abrí-la bruscamente e abraçá-lo assim como desejara a tanto tempo. Passou a palma da mão abaixo do olho, na tentativa de enxugar aquilo que ela não sabia ser chuva, ou simplesmente lágrima.
    A garota foi invadida por uma dose relevante de adrenalina e notou-se decidida a correr para lá. Fechou os olhos, mordiscou o lábio inferior e soltou um sorriso travesso ao imaginar a surpresa que faria. Pronta para levantar, abriu os olhos. No instante em que avistou a janela novamente, notou a luz, que até dois segundos atrás estivera acesa, agora apagada. Não havia ninguém ali. A casa estava abandonada, vazia, silenciosa e escura. Nunca estivera com gente, não a pelo menos um ano.
    Foi então que notou ter sido levada pela força da saudade. No fundo, a menina sabia não o encontraria ali. Nunca o encontrara ali. Ele estava longe demais para que isso acontecesse.

Beijos e me liga para contar das vezes em que você pensou ter visto alguma coisa :*

PS1: Sempre compartilho tudo com vocês, então queria manifestar minha alegria também. Na última quarta-feira (09) estreamos nossa peça do curso de Teatro. Foi fantástico, absolutamente maravilhoso e carrego lembranças perfeitamente inesquecíveis daquele dia. Se quiserem as fotos, é só me adicionarem no facebook.
PS2: Acho que puderam perceber que o blog mudou um pouquinho. Afinal, o Natal tá chegando e se existe uma coisa que eu adoro fazer, é decorar o blog para essa época. Opiniões são sempre muito bem vindas e eu adoraria que vocês dessem a de vocês.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Estilhaços



    Ando sobrevivendo. Sobrevivendo aos dias que custam a passar, sobrevivendo aos meses que me jogam na cara quanto tempo falta ainda para um possível recomeço. Uma possível vida nova, com um possível sonho realizado e uma possível felicidade. Ando sobrevivendo às dificuldades, me rastejando enquanto o tempo passa. Vou levando enquanto der. Enquanto eu aguentar.
    Ando caminhando pelas águas frias, me arrastando pelos ventos fortes e empurrando com o corpo o peso que é suportar as situações. Ora ou outra a cabeça lateja e anuncia que os pensamentos precisam dar uma trégua à minha vaga mente. Mas ao deitar, o travesseiro se parece tão duro quanto acordar e ver que tudo ainda continua no mesmo lugar. Que as coisas continuam da mesma forma e, pior ainda, que parecem não serem capazes de mudar nunca.
    Vazio. Um vaso vazio ecoa muito mais som do que um vaso cheio.
    Muita coisa ecoa em mim. Ao passo que minha mente não sossega, as noites em claro insistem em abrir as portas para pensamentos que telintam como um talher batendo em uma taça de cristal.
    Seria as pessoas capazes de mudar? Ilusório. Ilusão. Iludida.

  Beijos e me liga para contar da sua ilusão :*

PS: Não me perguntem o que me aconteceu para que esse texto seja escrito, porque eu também estou me questionando isso. Sem motivo algum, sem noção alguma e intenção nenhuma este texto saiu... Assim do nada. E por um segundo chego a reler, pela trilhonésima vez, e notar que talvez nada aí faça sentido. Talvez seja meu inconsciente querendo dizer alguma coisa...
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Alto mar


    Com a subida do nível do mar, aquela ilha estava comprometida. Muito em breve seria inundada e nada mais restaria ali. Vaidade. Riqueza. Alegria. Tristeza. Todos apressados em juntar suas coisas, colocarem em seus respectivos barcos e se distanciarem o quanto antes, enquanto a água tratava de subir. Mas o Amor, o único ali que não tinha como fugir, começara a entrar em desespero. Nenhum barco restara e, quase afogando-se, gritou para a Riqueza que passava com seu barco ao lado:
- Riqueza, toda preciosa, por favor, leve-me contigo...
- Não posso, Amor. Meu barco está cheio de ouro e prata e nada de você caberá aqui.
    Assim que a Riqueza passa navegando, a água lentamente traz o barco da Senhorita Vaidade.
- Vaidade, ajude-me e leve-me junto de ti...
- Argh. Não posso, você sujará meu barco.
    A água subia ao passo que o desespero do Amor aumentava. De repente, velejando passa o barco da Tristeza.
- Tristeza, suplico-lhe que me ajude... Estou me afogando... Deixe-me ir contigo?
- Ah, Amor... Estou tão triste que prefiro seguir sozinha, serias uma péssima companhia.
    A Alegria passa cantarolando alegremente em seu barco e nem se incomoda com os gritos estridentes de socorro do sentimento que ali se afogava.
- Alguém me ajude, por favor! Alguém me ajude...
    Como que num milagre, surge saindo da ilha um barco navegando pra perto do Amor.
- Não chore, Amor... Suba e te levarei comigo.
- Muito obrigado senhor. Por um instante cheguei a pensar que morreria ali.
- Estás a salvo agora, nobre sentimento.
- Qual seu nome, senhor? - disse o Amor.
- Eu sou o Tempo, meu caro.
- E porque o senhor, somente o senhor, resolvestes me salvar?
- Porque somente o tempo é capaz de ajudar e entender um grande amor.

Beijos e me liga para contar do sentimentos que você já deixou se afogando :*

PS: Essa é uma das cenas da peça que estamos ensaiando na aula de teatro. Fiz algumas modificações. adaptei-a e completei com algumas coisas.
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domingo, 2 de outubro de 2011

l'enfance


    Outubro. Esta é época em que as temperaturas altas e os americanos deitados debaixo de árvores no Central Park dão lugar às folhas secas e, ora marrons ora avermelhadas, caídas pelas calçadas. Os fins de tarde com muito vento anunciavam que dentro de três meses já seria Natal. Os casacos já começavam a serem tirados do guarda-roupas e a paisagem começara a mudar.
     Caminhava pela cidade já havia pelo menos uma hora. Presenciei de tudo: desde o casal discutindo dentro do carro em meio ao trânsito até a criança que estava dentro do carrinho, observando curiosamente um pássaro que alimentava seu filhote dentro do ninho, no topo da árvore.
    Mas foi quando, passando pela calçada do Lincoln Center, ouço um toque ritmado de piano. Doce, lento, delicado. Demorei alguns segundos para perceber que a música vinha do prédio, onde ficava o New York City Ballet. Famosa pelas mais impecáveis apresentações e pelos mais disciplinados bailarinos, a companhia de ballet me fascinava desde quando me entendia por gente.
    Entrei e caminhei até chegar onde estavam acontecendo os ensaios. Não pude deixar de notar que era o horário das crianças. Não chegavam a um metro de altura, garotinhas brilhantemente vestidas com as roupas do espetáculo, e mais se pareciam bonecas. A música era tocada por um piano de longa cauda, localizado no fundo do lado esquerdo do palco. Recostei no batente e me permiti observar a dança.
     De repente meu corpo parou. Minha mente se desligou instantaneamente quando a música principal de O Quebra Nozes começou a ser tocada. Senti uma onda me invadir. Poderia ficar o resto da vida tentando explicar o que senti, mas nada chegaria perto do real. E foi então que me vi lembrando de quando eu era mais próxima das sapatilhas, dos collants, do palco, do piano. Não devia ter mais do que quatro anos. O Quebra Nozes foi meu primeiro, e último, espetáculo.
    Porém, o que mais me chamara a atenção foi uma das bailarinas. Loira, coque preso no alto da cabeça, branca como algodão, um pouco menor que o restante da turma. Olhos azuis. Senti como se me visse ali, naquela garota, há pelo menos uns vinte anos atrás. Vendo-a ali, naquele figurino bordado em pedras e com um tule quase maior que a menina, me lembrei de uma fotografia. Eu, o mesmo figurino e mamãe, depois do espetáculo. Saudade.
    Alguns pais começaram a passar por mim e irem em direção ao palco. Olhei para o relógio e vi quanto tempo já havia passado, a aula chegara ao final. Vi quase todas as crianças saírem de mãos dadas com seus respectivos pais. A garotinha loira, dona dos olhos azuis, passou por mim e, talvez por ter percebido meu sorriso enquanto vinha, soltou um doce e inocente:
- Olá, moça bonita.

Beijos e me liga para contar do seu tempo de garotinha bailarina :*

PS: Texto totalmente fictício. Nunca tive habilidade nenhuma para a dança... Sempre achei a coisa mais maravilhosa do mundo ballet clássico, mas infelizmente não levo jeito pra coisa.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Rosas Secas


    O quarto estava em absoluto silêncio e o único barulho que preenchia o cômodo era o aparelho que media os batimentos cardíacos da garota. Um barulho intenso e estridente. Havia uma cama, uma poltrona desocupada e um aparelho de televisão.
    Ao abrir os olhos, levou pelo menos um minuto para que a visão se acostumasse com o branco do quarto e com a claridade que entrava por entre as persianas da janela. Esfregou os olhos algumas vezes; estava cansada, muito cansada. Embora não fizesse nada além de permanecer deitada naquela cama o dia todo, desde os últimos trinta dias, ela se sentia exausta. Mas exausta mesmo ela se sentia por dentro, e isso já vinha de longa data. Desde que descobrira a doença que tinha, e ainda mais quando percebeu estar morrendo aos poucos, a cada dia mais, jogada naquela cama de hospital. Já nem se lembrava mais como era estar em casa, como era acordar com o despertador tocando para ir à aula e, embora reclamasse demais, hoje sentia falta de ter uma vida normal. Mas o que mais sentia falta era do seu amor. Todos os dias ele ia vê-la e levava de presente um botão de rosa -sou obrigada a dizer que já havia dúzias delas no quarto-. Saía da aula no final da tarde e ficava ao lado dela até que adormecesse, e só então ia embora. Mas não era, nem de longe, como quando ela ainda podia viver.  Lembrava de cada mínimo detalhe de desde quando se conheceram, até a última visita que ele fizera a ela, na noite passada. Sentia saudade de todos os domingos de tédio, que só não se tornavam mais entediantes porque sempre tinha sua companhia. Dos sábados a noite, que às vezes eram quietos, outras vezes agitados. E posso fazer uma observação? As briguinhas bobas sempre aconteciam de sábado a noite. A garota nunca soube o porquê, mas sempre que brigavam era de sábado a noite.
    Acabou deixando um riso escapar pelo canto da boca ao lembrar. Sentia falta das brigas também. Espera que eu diga que as brigas daquele casal eram daquelas que começavam nas implicâncias, passavam pelos gritos e depois terminavam no beijo mais apaixonado? Não, as brigas deles começavam nos gritos e terminavam na maior gama de palavrões imagináveis. Mas pergunte se essas discussõezinhas duravam mais de dois dias? No final, chegavam pedidos de desculpas via sms.
    Ele adorava fazer surpresas, assim como ela amava ser surpreendida. Algumas delas não deram certo, afinal, gostar de fazer surpresas não quer dizer que ele as soubesse fazer direito. Ela não era boba nem nada e vez ou outra descobria,  mas tenho que dizer que era bem mais gostoso. Esquisito, não? Pois é, eles eram esquisitos. Mas eram felizes, e isso qualquer um podia ver. E eles se amavam.
    Voltando à realidade, sentiu-se novamente. Embora os médicos evitassem falar dos poucos dias que lhe restava, ela sabia que já não lhe sobrara muito. Embora quisesse poder voltar à vida, sabia que se partisse naquele instante, partiria bem. Não feliz, mas bem. Tinha boas lembranças da vida.
   Hoje a garota acordara sentindo que tinha menos tempo ainda. Virou a cabeça para o lado, não viu ninguém. Esticou o braço até que pudesse alcançar a gaveta do criado-mudo branco. Tirou dali um pedaço de papel e uma caneta. Mal conseguia segurá-la, e o "eu te amo" saiu com letras tremidas. Pousou o bilhete ao lado do vaso com os botões de rosa, que também se encontravam na mesinha de cabeceira. De repente, sentiu um cansaço enorme e um sono incontrolável.
     Dizem que a gente sempre sabe quando chegou a hora, e ela costatou isso quando fechou os olhos para dormir e nunca mais acordou.

Beijos e me liga para contar das vezes em que você viu a vida passar pelos olhos como um filme :*

PS: Ultimamente anda sendo muito difícil escrever... inspiração 0. Tenho dado um intervalo maior do que gostaria entre uma postagem e outra (inclusive ouvi cobranças a respeito, né Renan? Eu sei que você está lendo isso, amor.) mas realmente está sendo difícil escrever.
PS2: Poréééém, hoje sentei determinada a produzir algo e o resultando me rendeu uma sensação que há muito não sentia ao escrever. Gostei muito de ter feito este texto, e peço desculpas pelo tamanho; mas quando a inspiração vem, o negócio é aproveitar.
PS3: Mais alguns itens cumpridos na Wish List!
PS4: Comente, deixe sua marquinha aqui ;)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Até logo...



      O espelho a encarava. Refletia um rosto calmo, delicado, uma pele clara e lábios levemente rosados. As cortinas da janela de madeira balançavam de forma que anunciasse a manhã fresca que estava por vir; e a harmonia da brisa, junto dos poucos raios de sol que conseguiam atravessar as nuvens, era quase a mesma harmonia que se instalava dentro da garota. Há muito não se sentira tão bem.
      Passou a escova por entre os cabelos dourados e amarrou os delicados cachos com uma fita de cetim branca. Passou a palma das mãos pela caixinha de jóias, encapada por um veludo vermelho, e tirou a poeira que ali repousava. Abriu-a e, deixando escapar uma doce e lenta música dali de dentro, passeou a ponta dos dedos pelos cantos da caixa, como quem acariciasse algo. Pescou o brinco que mais adorava: uma pequena estrela dourada. Colocou-os e em seguida puxou uma correntinha, cujo pingente era um relicário. Ali dentro descansava uma foto, e carregar aquela corrente junto do peito toda vez em que saía era uma forma de manter perto dela quem estava longe.
      Voltou a olhar-se no espelho. Ajeitou o vestido, deu uma leve borrifada de perfume em cada lado do pescoço, e em seguida sentou-se à beira da cama. Estava pronta. Prontinha. Só faltava acreditar que finalmente o momento chegara. Custou a entender que poucos minutos era o que a distanciava do abraço que desejara desde o último longo semestre.
      Já te disseram que a saudade é capaz de torturar as pessoas? E se você acha que existe sentimento pior do que a saudade de quem não se pode ter ao lado sempre, sinto lhe dizer, mas você está redondamente enganado. Só quem sente é que sabe.
      A garota do vestido longo, de tecido fino e flores levemente desbotadas levantou-se, deu uma breve olhada no espelho e sorriu com o resultado que ali se refletia. Ela estava em paz. Por mais íncrivel que isso possa parecer, ela estava plenamente em paz.
     Apanhou a bolsa e saiu porta a fora, saltitando por dentro e exalando alegria.
     No final do dia, quando o sol se escondeu e permitiu que aquelas duas pessoas sentadas a beira do lago fossem iluminadas pela luz da Lua, ela sentiu-se da mesma forma que havia se sentido na última vez em que vira quem tanto amava. E, novamente, concluiu: a despedida é a pior parte de um reencontro.

Beijos e me liga pra contar do teu reencontro :*

PS1: Acho que não tenho muito o que dizer depois deste conto...
PS2: Ando estado tão ausente do blog que até me sinto envergonhada... só tenho que pedir desculpas :(
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domingo, 14 de agosto de 2011

Feliz Dia dos Pais.


Ninguém seria capaz de entender o que é ter uma pessoa como você na minha vida. É como ter o paraíso ao redor, a paz na palma das mãos e a segurança dentro de si. É como sentir que nada pode te atingir, que nada vai te machucar. É estar sempre em paz.
Já ouvi dizer que Deus coloca na vida de um cada um, uma pessoa para ser seu anjo da guarda. E sabe, tenho certeza que o meu é você. Vejo tanto de mim em você, que nós não poderíamos ser outra coisa senão pai e filha. Não consigo falar de você para alguém sem antes deixar escapar uma lágrima.
Abriria mão de qualquer coisa que eu tenho, por você. Porque sem você, eu não teria nada que eu tenho; não teria a alegria de te ver chegar em casa com aquele sorriso estampado no rosto que só você tem; com um bom humor indescritível que eu só consigo ver em você. Com o carinho que você tem por mim. Não tem ideia do quanto eu agradeço cada segundo por ter a pessoa mais perfeita comigo. Não poderia ser alguém melhor.
Te acho a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci, admiro cada parte de você. Esse teu jeito maravilhoso de nunca se abalar com os problemas, ou pelo menos não demonstrar isso. Esse teu jeito de sempre encontrar uma maneira de resolver as coisas, independente do tamanho delas. E sabe, se algum dia eu conseguir ser pelo menos metade do que você é, serei a pessoa mais feliz do mundo.
Nada seria capaz de expressar o tamanho do meu amor por você; nada que eu dissesse ou escrevesse. É uma coisa que só quem sente sabe. Me promete que vai estar sempre comigo? Eu te amo muito.
Feliz dia dos pais!

Ps1: Não tenho nem o que dizer do quanto eu chorei escrevendo este texto. Acho que nenhuma de vocês seria capaz de entender o quanto meu pai é importante na minha vida. Não foi o meu texto mais bem escrito, mas tenho certeza que é o que mais tem sentimento.
Ps2: Em quinze anos, nunca tinha visto meu pai chorar. O fiz chorar com uma folha de fichário, esse rabisco, e essa foto nossa.
Ps3: Desejo um Feliz Dia dos Pais a todos os papais do mundo ;)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Lembranças d'água.


Praia. Seis da manhã. Neblina. Vento. Frio. Areia gelada. Inverno.
Desci lentamente os degraus que ligavam o calçadão à areia, desamarrei com cuidado o cadarço dos meus tênis, segurei o par em uma mão e com a outra fechei a jaqueta. Fazia bastante frio, afinal, era inverno. Mas posso te contar um segredo? Eu amo a praia. No inverno.
Não havia rastro nenhum de presença até aonde meus olhos podiam alcançar. Só eu e eu. Passei a mão pelo cabelo ralo, pousando os fios em posição lateral, descansando-os em meu ombro direito. Meu rosto ainda estava inchado, fazia menos de trinta minutos desde que eu tinha acordado; esfreguei a mão nos olhos e soltei um breve bocejo.
A areia que encaixava por entre meus dedos se mostrava fria, mas muito macia. Caminhei até onde a água chegava e senti bater em meu rosto uma brisa ainda mais gelada. Larguei os tênis. Senti vibrar algo que estava dentro do bolso esquerdo da minha jaqueta, e acabei por me lembrar que havia trazido o celular comigo. Péssima escolha. Peguei o aparelho, vi meia dúzia de mensagens recebidas e um punhado de ligações perdidas. Olhei bem para aquele visor, em seguida para o mar. A próxima coisa que cruzou minha vista foi o celular sendo arremessado em direção à água. Eu não precisaria mais dele.
Me sentei na areia, ali mesmo, onde as ondas quebravam a menos de um metro. As coisas haviam mudado drasticamente desde a última vez que vira à praia. Há alguns meses eu estivera ali de férias, com marido e filho. Hoje nenhum dos dois me restara. Tivera também um bom trabalho, uma casa boa, um carro do ano. Hoje o trabalho não existe, a casa está abandonada e o carro, na garagem. Àquele tempo, eu estava feliz. Hoje, mal sei para onde a minha felicidade possa ter ido. Mas sabia que ela estava bem longe de mim.
Me levantei, apanhei os tênis e devo ter andando cerca de uns 5 minutos. Tornei a jogar o par de calçados na areia, entrelacei as mãos no cabelo e respirei fundo. Dei um passo a frente e posso lhe afirmar que a água estava bem gelada. Um passo seguido de outro, e outro, e mais outro.
Entrei mar a dentro.

Beijos e me liga pra contar o que você faz na praia quando está frio :*

PS: Ando com sérios problemas para escrever ultimamente. Não consigo escrever uma linha sequer e quando sai alguma coisa, são textos-lixo como este.
PS2: Andei dando uma atualizada na Wish List, e foram cumpridos os itens 02, 37 e 38.
PS3: Comente, deixe sua marquinha ;)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Velha infância.

É engraçado como são as coisas, né? Tua vida sempre é tão corrida, você sempre tem coisas a fazer e tempo para respirar é quase tão raro quanto tempo pra descansar. Eis que por um milagre, você tem um dia inteirinho sem nada para fazer. De vez em quando dá uma saudade de poder ficar em casa, deitada e sem hora para levantar. Geralmente são nesses momentos em que a gente tira um tempo pra lembrar das coisas...
De repente me deu uma saudade do que já se foi. Assim, do nada, sabe? É até um pouco difícil explicar. Me lembrei de quando eu acordava cedinho, em plenas férias, só pra poder ficar mais tempo na rua, brincando com a vizinha. É incrível como eu nunca me cansava de ficar o dia todo correndo. Sinto falta de quando nós sumíamos trilha a dentro e pássavamos horas deitadas debaixo de uma árvore qualquer, conversando sobre o que seríamos no futuro. Ou quando não, inventávamos de fazer piqueniques... me lembro dessas coisas com uma alegria tão grande. Quando chovia, era ódio para todas nós. Éramos obrigadas a ficar dentro de casa, mas nem por isso deixávamos de aprontar. Íamos para a cozinha e lá ficávamos; a gente inventava mil e um pratos e cada um pior que o outro... Ah, que saudade.
Mas o que eu sinto mais falta é da minha família. A família por parte do papai, que sempre organizava as melhores festas; que sempre unia todo mundo nos finais de ano, que nunca deixou de me trazer lembranças maravilhosas a cada fim de semana em que todos nós íamos para a casa de férias, onde eu muito bem me recordo dos passeios de jet-ski, das horas na piscina e das queimaduras que eu adquiria por teimar em não usar protetor solar. Me lembro de ficar atrás do titio, que me pegava no coloco e me fazia cócegas até eu chorar de rir e implorar para que me colocásse no chão. O melhor eram os finais de ano na fazenda dele, em Minas. Eu amava aquele lugar, era simplesmente fantástico ficar lá. Casa sempre cheia, todo mundo exalando alegria pelos poros, me fazia muito bem aquilo tudo. Lembro, com cada detalhe, de quando mamãe, papai, e mais o restante da familia ficava horas jogando cartas enquanto nós brincávamos com a cachorra, Samantha, na piscina. No final do dia, mais queimaduras.
Naquela época, o melhor dia da semana eram os domingos. Acordar cedo e ir para a fazenda do papai era parte da rotina, e se não fossemos era como se faltasse alguma coisa. Lembro com muita saudade de quando chegávamos lá e a primeira coisa que eu pedia era para que trouxessem meu cavalo. Ficava a manhã toda nele e não saía enquanto o almoço não estivesse pronto. Correr atrás das galinhas e depois ser perseguida por elas era quase um hobbie. Não devia ter mais do que seis anos, mas me lembro de tudo; absolutamente tudo.
Tenho um carinho enorme pro cada fotografia que tenho desses momentos. É como se fossem a única coisa que restou da minha infância, além de cada lembrança maravilhosa. Por isso, torno a dizer o quanto as coisa são engraçadas: olhe eu aqui, agora, sozinha. Aonde foi parar toda a alegria que eu tinha? A casa cheia, as férias na piscina e os domingos à cavalo?
Sinto tanto a falta de tudo isso... E por fim, caímos no mais clichê dos clichês: "Sinto saudade daquilo que não volta".

Beijos e me liga pra contar da tua infância :*

PS1: Foi vendo algumas fotos de alguns anos atrás que me deu uma vontade imensa de escrever este post... Saudade.
PS2: Estava passeando pelos blogs essa semana e me deparei com um texto simplesmente FANTÁSTICO. Senão, um dos melhores que já li. Não sou de compartilhar blogs, nem postagens aqui, mas esse é simplesmente perfeito. Não sei se me identifiquei demais com o texto, mas sei que ele tem uma essência tão maravilhosa que fez com que eu salvasse nos meus favoritos. É o post "Don't wait up" do blog da Amanda Arrais.
PS3: Essa semana completei o item número 48 da minha Wish List. Estou na depressão pós término de livro. Amava tanto essa série e não me vejo sem acompanhar Mia Thermopolis.
PS4: Comente, deixe sua marquinha aqui :)

domingo, 10 de julho de 2011

Desafio!

Recebi esse desafio da Anne do blog Diário de Uma Adolescente.

Regras:
1. Divulgar quem passou a TAG.
2. Postar 10 fotografias de coisas que você mais gosta (pode ser da Internet)
3. Passar a TAG à 10 meninas.


Filhotes


Melhor Amiga



Dormir



Escrever



Por-do-Sol



Livros


Compras


Maquiagens


Tecnologia



Mensagens de Texto

Repasso esse desafio à:
- Lara Oliveira
- Luiza Fritzen
- Amanda Arrais
- Bels
- Minne
- Alinne
- Dayane
- Elania
- Mari
- Ariana




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Uma ida sem volta.

O dia tinha amanhecido não fazia tanto tempo, a estação estava com um movimento relativamente normal, e fazia um frio cortante. Estava sentada naquele banco de madeira, próximo a linha do trem, esperando que você chegasse com as nossas passagens. Você finalmente tinha tirado uns dias da tua vida para me fazer companhia, de tanto que eu havia insistido. Iríamos fazer uma pequena viagem, passar um tempo juntos, qualquer coisa. O que realmente importava era que iríamos aproveitar a companhia um do outro. Mas eu não sabia se realmente queria isso.
Esfreguei a palma das mãos no meu rosto, na tentativa de esquecer tudo que minha mente tentava fixar. Respirei fundo e te vi chegando com o par de bilhetes na mão. Sorri daquele jeito que você adora que eu faça, o que te fez sorrir também. Me levantei, peguei minha passagem e, colocando-a no bolso do casaco, me aninhei a você para que me esquentasse. Eu realmente encontrava um pouco de paz quando ouvia as batidas do teu coração. E já disse que teu abraço era a cura de qualquer problema, não disse?
Nosso trem estava se aproximando e as pessoas começavam a se levantar dos bancos e a formarem uma fila desorganizada atrás da linha amarela. Alguns minutos foram necessários para que a maioria das pessoas conseguissem entrar no trem e se ajeitarem em seus respectivos assentos. Entreguei meu bilhete ao homem que estava na entrada, você entregou o teu e juntos entramos a procura dos nossos bancos. Antes de me sentar, parei e olhei para você, que com o seu melhor sorriso me disse: "pode se sentar na janela, meu amor". Sorri de volta e me acomodei.
Minha cabeça estava mais cheia do que aquele vagão. Pensamentos que há muito insistiam em tomar conta de tudo, inclusive das minhas decisões. Eu te amava demais, sabe. O sentimento que eu alimentava, era com certeza cinquenta vezes maior do que o que você sentia por mim. Você gostava de mim. Eu te amava. Dá pra sentir a diferença, não? Mas o que sempre me machucou foi sentir como se eu fosse a segunda opção. A fuga que você encontrava para fugir dos problemas, das responsabilidades, da tensão e do relacionamento desgastado. Para você era bem cômodo. Para mim nunca foi.
Estava com os olhos fixados no mais longe que pude, quando senti que você colocou sua mão sobre a minha. Te olhei nos olhos e senti, mais do que nunca, que não seria fácil ficar sem você; mesmo você estando longe. Não seria fácil te perder. Mas eu acabei percebendo, naquele momento, que eu não iria te perder. Afinal, não se pode perder uma coisa que você nunca teve.
Os últimos passageiros ainda estavam por embarcar quando eu me levantei e te pedi para que esperasse, iria ao banheiro. Fui até a porta dele, que por ironia do destino ou não, era exatamente ao lado da porta que dava acesso ao lado de fora do trem. Pensei duas vezes em qual porta eu cruzaria. Não entrei no banheiro.
Saí do vagão com o coração na mão e a dúvida derramando pelos olhos. Será que eu acabara de fazer a coisa certa? Se fiz certo ou não, isso ainda vou saber, mas sei que naquela hora estava doendo muito. Passei a mão pelos cabelos e em seguida desci-a até os olhos, para enxugar o que escorria deles. Vou sofrer, vou chorar, vou sentir falta, vai doer, vou querer desistir e ir atrás.
Mas "vai passar, sempre passa".
Vi o trem começar a se movimentar e sair de onde estava. Fechei meus olhos, o coração apertou. Apertou muito. Independente do tamanho do meu amor por você, eu resolvi tentar me amar também. Muito obrigada por tudo que fez por mim e pela felicidade que já me proporcionou. E agora, que aquele vagão te leve pra bem longe de mim; leve meu amor, minha tristeza, meu sofrimento, minha saudade e, o principal: leve a esperança que eu tinha de que pudéssemos algum dia darmos certo.

Beijos e me liga para contar da tua decisão dolorosa :*

PS1: Se você leu até aqui, meu eterno parabéns! Obrigada por perder alguns minutos da tua vida lendo mais um dos meus textos quilométricos.
PS2: Com tanto tempo escrevendo, acho que essa foi a única vez em que eu consegui transformar exatamente o que eu estou sentindo/passando, em um conto.
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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sessenta segundos.

Acabei de descobrir que tenho sessenta segundos para escolher o que quero levar comigo. Dez segundos já se passaram só para eu perceber que não preciso de muito para estar feliz. Não é isso e nem aquilo.
Talvez se a escolha fosse tua, eu nem passaria pela tua cabeça nesse um minuto. Não por ser pouco tempo para se escolher tudo que queira carregar, mas por existirem coisas mais relevantes a que se deve pensar. Sei que neste meio-tempo você se desesperaria, correria pra pegar teus objetos de maior valor, celular, algumas roupas, tua mãe e teu amor. Afinal, do que mais precisaria, não é mesmo? Tendo o que vestir, como se comunicar, alguém para cuidar de você e outro alguém para te amar... realmente não precisaria de mais nada.
Eu? Bem, acabei de olhar para o relógio e já se passaram quarenta segundos. Ainda me encontro aqui, sentada na cama, pensando no que carregar junto de mim. Pensei no meu telefone, nos meus melhores sapatos, minhas melhores roupas, minhas jóias... Mas espere. Pra quê? Chega de materialismo, ainda mais quando ele não irá me fazer feliz. Meu estado físico não garante meu estado emocional. O que eu levaria comigo não está nas vitrines de Nova York, nem nas passarelas de Paris. Muito menos na 5th Avenue.
A única coisa da qual eu preciso ter comigo possui nome, sobrenome, endereço e, diga-se de passagem, um sorriso maravilhoso.
5...4...3...2...1.

Beijos e me liga pra contar dos teus sessenta segundos :*

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domingo, 12 de junho de 2011

Cadê você?



São Carlos, 12 de Junho de 2011.

Querido Futuro Namorado,

Tudo bem, namorado? Espero que sim.
Aonde você está? Está muito longe? Muito perto? Eu te conheço? Ou ainda vou conhecer? Vai demorar a chegar? Estou passando mais um doze de Junho sozinha.
É que sabe, eu sinto a sua falta. Sinto falta de ter a quem presentear no dia dos namorados, sinto falta de ter a quem chamar de "meu amor". E confesso sentir falta até de dizer um "não, hoje não posso sair. Vou ficar com o meu namorado".
Não é muito divertido ficar esperando por alguém. Mas eu espero por você. Espero desde pequena por alguém que possa andar comigo por aí de mãos dadas. Por alguém pra esquentar quando as temperaturas caírem, pra eu ligar cinco minutos depois de ter saído da minha casa e dizer que já estou com saudades. Eu sinto falta. Sinto tua falta, namorado.
Às vezes paro no meio da noite, como no clichê de sempre, e fico pensando. Não faço ideia de onde você possa estar, e de quem possa ser. Mas sei que eu vou te amar demais quando você chegar.
Amar não é tão ruim quanto eu insisto fazer meu cérebro pensar. Entendo que só acho uma droga porque ainda não te conheci. Por que está demorando tanto a chegar? O caminho é longo? Ou você não achou meu endereço ainda? Não seja por isso, eu o passo quanto antes. Eu te quero, querido namorado.
Espero que tenha entendido o quanto eu preciso de você, o quanto eu espero por você. E só mais uma coisa: não demore, por favor. Venha cedo, para que ainda possamos aproveitar uma vida toda juntos.
Aguardo resposta.


Eu te amo Futuro Namorado,
Yasmin.

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PS: Um feliz dia dos namorados para todas que namoram :)
PS2: Às que não namoram, coloquem uma coisa em suas cabeças: 12 de Junho é só mais uma data para movimentar a economia. Para se presentear alguém, não é preciso uma data específica. E estar sozinha não é o fim do mundo, meninas.
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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Eu te amei. E não foi pouco.


O dia amanheceu de um jeito diferente. Eu não sabia ao certo o que o tornava incomum, mas sei que ele não me passava uma boa sensação. Embora o sol estivesse brilhando lá fora, o céu estivesse mais azul do que nunca e das nuvens, nada se via, eu ainda estava com um sentimento um tanto quanto estranho. Levantei da cama logo cedo e, involuntariamente, meu olhar foi desviado para o calendário, que mostrava a data: 03 de Dezembro. Um ano. Já fazia um ano.
Por mais que eu negasse, mentisse e desmentisse, acreditasse ou desacreditasse, nada mais era como antes. Não ao menos depois de tudo o que aconteceu. Fiquei lembrando, com a maior riqueza de detalhes, como as coisas aconteceram. Eu aqui, você aí. Eu com ele, você com ela. Eu com a minha vida, você com a sua. E confesso que passei a acreditar nesse tal de destino, esse que une as pessoas que tinham tudo para não se encontrarem. E foi tudo tão rápido, tão repentino.
Eu tive tanto medo de fazer a escolha errada e acabar estragando toda a vida que eu já havia construído ao lado de outra pessoa. Mas você estava decidido, e parecia não ter esse medo. Era o destino, tenho certeza.
Não consegui. Largar tudo para ficar com você, quero dizer. E assim nos distanciamos. Me lembro de tudo como se fosse ontem; me lembro da sua voz quando atendeu o telefone e de como as minhas palavras falharam na hora de dizer tudo aquilo. Saiba que doeu em mim.
O tempo passou, e eu tinha poucas notícias de você. Sabia que você havia casado, que sua mãe havia morrido e que seu pai não estava bem. Mas também sabia que você não estava feliz. Da mesma forma que eu não estava; da mesma forma que eu ainda sentia vontade de chorar sempre que ouvia teu nome, ou alguém falando de você. Mas havia uma única coisa que eu ainda não sabia, e não sei se gostaria de ter ficado sabendo.
Estava sentada na minha mesa, cercada por todas aquelas papeladas quando o telefone tocou. Era a secretária da agência da sua cidade. Com a voz tremida e baixa, me deu a noticia. Foi o pior dia da minha vida. Meu mundo estava caindo naquele instante. Porque não me disse que estava doente? Porque não me contou nada? Porque teve que ir? Justo agora?
E o destino pregava-me mais uma peça. Me sinto arrependida até hoje por não ter te dado um último abraço. Um último beijo. Mas sinto mais arrependimento ainda por não ter ouvido o meu coração e ficado contigo.
Mas sabe, aprendi muita coisa com você. Aprendi que nada nessa vida acontece por simplesmente acontecer. Aprendi que deve-se dar voz ao coração, e não ao que você julga ser certo ou errado. Aprendi que existem anjos nesse mundo; pessoas que Deus coloca em nossas vidas para cuida de nós. Mas agora, bem, agora eu sei que você se tornou um anjo de verdade. E está aí em cima, olhando por mim.

Beijos e me liga para contar do amor da sua vida que você deixou ir embora :*

PS1: Conto baseado em uma história real. Sinto orgulho de ter a irmã que eu tenho, que independente de ter passado por tudo isso, ergueu a cabeça e seguiu em frente.
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sábado, 7 de maio de 2011

Obstáculo.



- Você sabia né? - começou ela.
- Sim, eu sabia.
- E você também sabia que seria difícil pra mim. Então porque continuou? - disse ela, em tom firme.
- Porque eu... -
- Porque você pensou que poderia ser diferente, não foi? - ela o interrompeu.

Silêncio
.

- É. Foi isso. - respondeu ele.
- Eu tô sofrendo, sabia? Não pense que está sendo fácil, porque não está. Não parece, mas tá doendo, tá machucando, tá apertando, tá torturando. Dá pra pensar um pouco em mim? Pare e se coloque no meu lugar, imagina s...
- Ei - dessa vez, ele a interrompe - pare. Pare com isso. Se está doendo em você, está doendo em mim também. Ou você se esqueceu de tudo que eu já te disse? Você sente, eu sinto. Sou o teu reflexo, o reflexo de tudo que acontece com você. Se você não está feliz, eu também não estou. Se você está chorando, eu choro com você. Se você está satisfeita, eu estou também. E da mesma forma que não está sendo fácil para você, também não está sendo para mim.
- Eu sei - ela diz com lágrimas nos olhos e a voz falhando.
- Eu te amo e muito. Você também sabe disso, não sabe?
- S-sei. - ela tenta conter o choro, faz força mas não consegue. Cai aos prantos nos ombros dele.
- Nunca se esqueça disso, meu amor. Nunca.
Ele beija-a na testa, e a abraça.

Beijos e me liga para contar da sua conversa :*

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sábado, 30 de abril de 2011

Enfim, descansar.



Os vários comprimidos estavam começando a fazer efeito. A vista embaçava, a cabeça girava e os músculos se enfraqueceram permitindo que o corpo relaxasse sobre a cama. Cinco minutos, os seus últimos cinco minutos. Esses que mais pareciam cinco horas, devido a tudo que ela conseguiu lembrar e pensar antes que seus olhos se fechassem para sempre. Lembrou do porquê de ter feito aquilo e, com todos os seus argumentos, estava convencida de que fizera a coisa certa. Pensou que finalmente poderia sanar a dúvida que carregara consigo por tanto tempo: "Quem sentiria sua falta?"
Em fração de um segundo, foi como se estivessem retirado qualquer pensamento de sua mente. Ela se sentia cada vez mais leve, e em perfeito transe. De repente tudo ficou escuro. Foi quando, com muita força, conseguiu abrir os olhos. Ela já não era mais aquela garota. Agora ela era duas. Viu seu corpo ali, adormecido. E morto.
Sentiu um alívio de tal tamanho, a ponto de sentir uma felicidade que em vida não sentia há muito tempo. Deu um passo a frente e se olhou. Olhou seu corpo, quero dizer. Por mais incrível que pareça, não sentiu vontade alguma de voltar a ter domínio dele. Respirou fundo e saiu do quarto. Pode enxergar e ouvir todo mundo, sem que pudesse ser notada; o que, de certa forma, era muito bom. Viu a mãe cruzar a porta de seu quarto, e soltar um grito de desespero. Fechou os olhos e sorriu satisfeita. Mas não era uma satisfação maldosa, era um sentimento de missão cumprida. Chegou perto da mãe e sussurou um "Tudo ficará bem, não se preocupe". Em questão de minutos a casa já estava repleta de para-médicos, que depois de verem que nada mas poderia ser feito, colocaram a garota na ambulância e foram embora. A família estava inconsolável, e em nenhum momento sentiu que tivesse feito a escolha errada. Ela sabia que eles ficariam bem.
Viu pegarem o telefone e discarem um número. Num piscar de olhos estava naquele quarto, sentada na beira da cama dele, o observando escrever sob um papel, na escrivaninha branca. Involuntariamente sorriu; o telefone tocou e ela já sabia da notícia que lhe seria dada. Ele atendeu e a reação, bem, a reação era a que ela não esperava. Foi pior que a reação da família. Mil vezes pior. Agora sim ela começara a repensar no que havia feito, mas nada que a fizesse se culpar. Em frente ao desespero do garoto, ela se aproximou e passou a mão por entre seus cabelos e soltou um "Eu te amo". Mas ele não podia ouvi-la e nem senti-la. No dia seguinte, com todos naquela sala fria e o que antes era seu corpo, a garota pode presenciar toda a cena. Ela realmente estava muito bonita, ou melhor, haviam-na deixado realmente bonita. Ela podia sentir o que cada um ali sentia por dentro. Mas quando se aproximou dele, pode notar quem realmente estava sentindo mais sua falta.
E pode perceber também, que ele a amava mais do que ela imaginava.

*texto TOTALMENTE fictício*

Beijos e me liga pra contar do seu suicídio :*

PS: Vai dizer que você nunca quis saber quem sentiria sua falta?
PS2: Passei um tempinho fora... a inspiração não anda me visitando com tanta frequência.
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domingo, 10 de abril de 2011

Vazio.


Era sexta-feira, seis da tarde. Redação movimentada, dia de fechamento da edição especial de aniversário da revista, e eu estava ali. Sentada, cansada, com os olhos fixados na tela do computador e rodeada de papéis. Quando vi a secretária cruzar a porta com o meu copo de capuccino nas mãos, senti meus olhos brilharem. Já terminara meus deveres, e antes que ela pudesse chegar em minha mesa, já havia juntado todos os papéis e os enfiado na pasta, pegado o notebook e colocado a bolsa no ombro. Só passei a mão no meu capuccino e fui embora. Estava tão quente, que hora ou outra eu tinha que troca-lo de mão, para evitar que meus dedos se queimassem. Acenei para o primeiro táxi que passou pela Central Park West e, por volta e uma ou duas horas depois, estava no prédio. Entrei e, para minha infelicidade, o elevador estava fora de serviço, o que me fez lembrar de contatar o síndico sobre este problema na próxima reunião de condomínio. Subi pelas escadas mesmo, e embora o cansaço estivesse pesando, cheguei sã até o oitavo andar, onde ficava o meu apartamento. Ou melhor, o nosso apartamento.
Ao girar a maçaneta e abrir a porta, me deparei com a escuridão. Procurei, cautelosamente, pelo acendedor e em segundos o ambiente já estava sendo iluminado pela luz amarelada da sala de estar. Joguei na poltrona tudo que carregava nos braços. O casa estava desarrumada e haviam brinquedos espalhados pelo chão da casa toda. Me abaixei para recolhê-los e guardá-los no lugar os primeiros que vi, mas me lembrei que tal esforço seria em vão. Ela não voltaria a brincar com eles. Soltei-os. Me dirigi à cozinha, onde me vi diante da maior pia com louças sujas que já vi na vida. Hesitei em começá-las a limpar, mas me lembrei que ninguém mais haveria de usá-las novamente. Voltei para a sala e no sofá me sentei; liguei o abajur e a mesma mesa que servia de suporte para ele, também abrigava um cinzeiro. Ele sabia que eu odiava quando ele deixava cinzas ali. Por um segundo pensei em jogá-las fora, mas me lembrei de que ele não voltaria a usar aquele cinzeiro.
Me levantei e fui para o quarto da minha menina. Mais brinquedos espalhados pelo chão. A janela estava aberta, ventava bastante e as cortinas balançavam incessantemente. Cheguei a dar um passo em direção à janela, para fechá-la, mas me lembrei de que ninguém mais ficaria doente ali por tomar uma corrente de vento. Ela não dormiria mais ali. Fui para o meu quarto, e a cama encontrava-se desarrumada. Abri as portas do guarda-roupa, que agora estava vazio. Hesitei em arrumar a cama, mas me lembrei de que ninguém mais dormiria ali. Ao menos não no lado em que ele dormia.
Silêncio. Silêncio.Silêncio.
Acordei com um susto, e o coração num disparo só. Sentei-me na cama e olhei para o lado. Ele estava ali. Dormia em sono profundo e eu podia ouvir sua respiração. Dei um suspiro de alívio e senti meus olhos se encherem d'água. Não aguentei, me aproximei e dei um beijo de leve.
Me levantei e fui até o outro quarto. A luz estava apagada e o cômodo era iluminado apenas pela luz rosada do abajur; olhei em direção ao berço e vi ali a minha menina. Meus olhos se encheram d'água novamente e eu me aproximei de onde ela dormia. Descansava delicadamente, em sono intenso... Passei a mão por seus cabelos finos, e a beijei.
Nada como sentir o alívio que senti ao ver os dois ali, dormindo.

Beijos e me liga para contar dos seus sonhos de madrugada :*

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segunda-feira, 28 de março de 2011

Companhia de todas as noites.



Sentimentos
Afeto
União
Distância
Amizade
Dor
Esperança

Saudade. Essa maldita saudade, que resolve aparecer nas horas mais importunas. Ou melhor, aparece em todas as horas. Mas ela só aperta mais, quando chega com toda a sua força, no meio da noite, diante da insônia e de todos os pensamento que aquela cabecinha, invadem. Sem dó nem piedade.
E ultimamente, a Senhorita Saudade e a Senhora Insônia andam fazendo companhia todas as noites àquela garota. Ela pega no sono, mas exatas duas horas mais tarde ela acorda. E acredite, duas horas é o tempo perfeito para que ela possa ter os mesmos sonhos de todas as noites. Sempre os mesmos sonhos, com a mesma pessoa.
E quando ele chega ao final, a Insônia a cutuca, a faz acordar. Senta na beira da cama, e telefona para a Saudade. Em questão de minutos, as duas estão ali no quarto, juntas, mantendo a garota acordada. Ela vira e revira na cama, se cobre e se descobre, levanta e deita de novo. Mas as duas continuam ali.
A Senhorita a abraça, e enchendo o coração da menina de saudades, só assim vai embora. Mas a Senhora Insônia continua ali, intocável, invisível, mas altamente notável. A garota coloca a cabeça no travesseiro e viaja. Sonha, imagina, acredita e sente saudades. Tentou segurar, mas não conseguiu. Uma lágrima acabara de molhar a capa da almofada. Bastou que a Senhora visse que a menina estava chorando, para finalmente ver o trabalho feito e ir embora.
E só assim a garota pegou no sono novamente... Cinco minutos. E o despertador toca.

Beijos e me liga pra contar das suas saudades :*

PS: Fiz algumas pequenas mudanças na barra lateral. Agora a descrição completa sobre mim fica em uma página separada. Se quiser me conhecer melhor, clique aqui.
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sexta-feira, 18 de março de 2011

Surpreendente.



Aquele garoto, aquele cara, sabe? Aquele que me encantou, tá lembrado? Pois bem, ele é você.
É tua culpa todas as vezes em que eu fiquei vermelha de raiva, todas as vezes em que eu fiquei sem palavras, de tanta felicidade; todas as noites sem dormir, todas as noites muito bem dormidas. E também todas contrariedades.
Se lembra daquela nossa briga? Aquela vez em que eu cortei nossas fotografias, dividindo-a em duas partes; numa eu, noutra você. E depois que fizemos as pazes, o arrependimento que eu senti e a vontade de poder colá-las e deixá-las como eram antes, também é culpa tua.
E aquele dia então, como eu iria esquecer? Quando você cruzou a porta da sala com aquele buquê vermelho enorme, parando a aula de biologia e pedindo à professora que o deixasse dar uma palavrinha comigo. Não há dinheiro no mundo que pague a cara de surpresa que eu fiz, e a alegria que eu senti quando você fez aquilo. Também não posso esquecer a forma como você me abraçou, quando meu rosto se avermelhou, enquanto a sala nos aplaudia. Sinceramente? Você é louco. Mas é o meu louco.
Ou quando não armava esses teu planos diabólicos, sempre encontrava um jeitinho de me pegar de surpresa. Às vezes era quando eu estava naquela roda de conversa, com os meus amigos, que você chegava de mansinho, sussurrando alguma coisa ao pé do meu ouvido; ou então, dava de sumir o dia todo só pra, quando a noite caísse, me ouvir dizer que fiquei preocupada e que senti tua falta. Honestamente? Você não é normal. Mas é o meu anormal.
Sem contar dos outros tantos dias em que aparecia aqui em casa, logo cedo, quando eu não estava esperando por você. Sempre dizendo que eu ficava ainda mais bonita quando pega de surpresa; mesmo com aquele pijama amassado, com o cabelo preso, a cara ainda inchada e a voz de sono. E aí nós sentávamos em volta da mesa redonda, e tomávamos café da manhã juntos.
E eu confesso que te amo cada vez mais, a cada surpresa, a cada dia.

*texto fictício*

Beijos e me liga pra contar das tuas surpresas :*
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PS: Sabe quando você assiste filmes demais e começa a acreditar neles? Então. Sonhar faz bem, né.
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Meme Literário ;)



Olá!
Semana passada, a linda da Minne do blog Entrelinhas me indicou para responder a um Meme Literário.


1- Quantas páginas você ler por dia?

Quando eu realmente tenho tempo e o livro é bom, leio o máximo possível. Já cheguei a terminar um livro de trezentas e cinquenta páginas em um dia. Mas ultimamente, com a escola, lições e cia, no máximo umas cinco páginas.

2- Se fosse um personagem de livro, qual seria?

Norah Patch de Sussurro, com certeza. O que mais me encantou no livro foi a forma como eu me identifiquei com a personagem e como nós somos parecidas em algumas situações.

3- Quantos livros você compra e lê por mês?

Não tenho o costume de comprar livros, geralmente os baixo da internet e leio pelo celular. Leio o máximo possível, mas em média estou lendo meio livro por mês.

4- Como é a sua leitura, você lê em voz alta ou silenciosamente?

Silenciosamente. Não consigo focar na leitura se a faço em voz alta.

5- Já pegou livro emprestado de alguém? Gosta de emprestar seus livros?

Já peguei livros emprestados, mas não tenho muito o hábito. Gosto de poder demorar o tempo que for preciso para que eu o leia.

6- Onde você guarda seus livros, tem uma estante para isso?

Os poucos que eu tenho estão guardados em uma gaveta no meu quarto.

7- Cite no minimo três melhores livros que possui na sua estante:

Seria melhor eu citar os três melhores que eu tenho salvo aqui no computador. Seriam eles Sussurro, A Mediadora Vol. 02 e O Diário da Princesa Vol. 04.
8- Qual a sua leitura do momento e o que está achando?

Estou lendo A Mediadora Vol. 03, mas a falta de tempo e a preguiça estão fazendo com que eu enrole cada vez mais para terminá-lo. Com base nas poucas páginas que já li, posso dizer que ele é um livro muito bom. Por ser uma série, ele não é repetitivo e isso é ótimo. Mas enfim, nenhuma reclamação sobre.

9- Indique para 5 ou 10 blogs amigos:

Odeio indicar Memes ou Selinhos, então fica em aberto para quem quiser pegar e responder ;)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Abrir mão.


Antes de começar a leitura, acione a música clicando aqui

Ela caminhava pelo parque, com o vento movimentando a barra do seu vestido florido, e o casaquinho de linha branco, que só ela sabe quantas vezes já o usou. Seus passos lentos pelo gramado denunciavam, sem deixar dúvidas, que ela não sabia o motivo exato pelo qual estara ali. Carregava no ombro esquerdo a bolsa de pano, sua fiel companheira.
Fizera frio a semana toda; chovera, ventara e hoje o tempo tinha dado uma breve trégua, deixando uma espessa neblina pela cidade toda. O lugar já estivera mais cheio, afinal, não é lá muito comum sair de casa para passear no parque em dias de chuva.
Debaixo da árvore, ela se acomodara, jogando de lado a bolsa e recostando-se no tronco. Juntou as duas partes do seu casaco, unindo-as pelo único botão que sobrara nele; cruzou os braços, acomodando as mãos em teus ombros. Gesto esse que mais se parecia um auto-abraço. Um abraço que há tempos não recebia, mas que só ela sabia que falta que ele fazia. Deslizou a mão pelo zíper da bolsa e abrindo-a, tirou de lá um envelope amassado com algumas fotos dentro.
Levantou-se e seguiu em direção ao lago. Ajoelhou-se à sua beira, sentindo o frio que a grama oferecia. Sentando-se sobre as próprias pernas, abriu o envelope e ousou puxar dali a primeira fotografia. Hesitou em tirá-la por inteiro, pois sabia que se fizesse isso, nunca conseguiria fazer o que estava prestes a ser feito. Dobrou a aba do que servia de abrigo às fotos, acariciou pela última vez o papel, e passou os olhos pelo escrito que constava ali. "Que seja eterno enquanto dure". Com um nó na garganta e toda a força do mundo para conter o choro, deixou que o envelope caísse sobre as águas. Em poucos minutos, nem sinal das fotos restava mais.
Passou a mão pelo pescoço, e desprendeu a corrente dourada. Com o relicário delicadamente respousado na palma de suas mãos, soltou um suspiro. Abriu-o e o encarou por um último instante. Duas pequenas fotos, dois sorrisos, dois jovens, duas vidas, dois caminhos que se cruzaram e depois se descruzaram. Relembrou, vagamente, do lindo casal que formavam. Mas infelizmente, isso não foi o suficiente para que ela pudesse se conter e esquecer a ideia de que tudo acabara. Com a corrente entrelaçada entre os dedos, foi descendo lentamente a mão até que o pingente pudesse tocar a água, e consequentemente, deslizasse pela pele clara e caísse. Ela manteve seus olhos fixados no objeto dourado até que ele desaparecesse.
Com o dedo indicador, limpou a única lágrima que derramara. Apanhou a bolsa, levantou-se e foi embora.

Beijos e me liga para contar das lembranças que você já desfez :*


PS: Resolvi inovar um pouco e colocar uma música para dar mais ênfase ao conto. E por mais incrível que pareça, este foi um dos textos que eu mais gostei de escrever.
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quarta-feira, 2 de março de 2011

Da água para o vinho. Temporariamente.

Era sábado. Céu azul, sol aconchegante, poucas nuvens; dia que favorecia a sensação de alegria em qualquer um, até mesmo em mim, que costumo estar sempre animada aos sábados. Mas não. Por mais contraditório que isso possa parecer, foi um pouco diferente naquele sábado. O céu, o sol, as nuvens e o dia da semana passam a não fazer sentido algum quando se acorda com uma visão distorcida das coisas. Sabe quando te dá aquela vontade enorme de mudar? Pois bem. É esse tipo de vontade que me fez acordar, abrir o armário e a descartar o bom e clichê jeans que eu possivelmente usaria, em dias normais. Foi diferente desta vez, arranquei a legging de couro, juntei com aquela bata escrito "Fuck You" e um cinto de tachinhas para ajudar. Desenterrei minhas maquiagens escuras e o meu kajal preto.
Depois de quase ser deserdada pela mãe, que apontou o dedo para mim e soltou um "você está parecendo uma perdida!", saí de casa. No fundo eu sabia que não estava parecendo uma perdida, até porque minha mãe, que nasceu há quase cinco décadas atrás não sabe o que é uma perdida a la século XXI. Mas confesso que eu estava bem daquele jeito, o que cai entre nós, era bem diferente do que eu estava acostumada a vestir. É claro que ao dar cada passo na rua, recebia um olhar ou outro de canto, de uma senhora ou outra mal amada. Mas isso já não me importava.
Mudar faz bem, é fundamental e é a lei da vida. Só lamento que em mim, esse tipo de mudança não dura por muito tempo. No domingo? Acordei felizinha, vesti minha saia de babados florida, meu batom cor de rosa e fui passear no shopping com a minha bolsa de fifi.

Beijos e me liga pra contar da tua mudança :*

PS: Ontem (01/03) o blog fez um ano \o/ Infelizmente não tive tempo de pensar em alguma coisa pra postar em comemoração a data... Mas eu fico feliz em ver que o meu durou esse tempo todo, quando geralmente a vida útil de um blog é de mais ou menos três meses.
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